Brasileiro é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo

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Há três anos o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de consumo de agrotóxicos no mundo. Um terço dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros é contaminado por estes produtos, segundo alerta feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) durante o primeiro congresso mundial de nutrição, que termina nesta terça-feira (1) no Rio de Janeiro.

Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, no Brasil o aumento foi de 190%. Em 2008, o país ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de liderança, com uma fatia de quase 20% do consumo mundial de agrotóxicos e movimentando, só em 2010, cerca de US$ 7,3 bilhões – mais que os EUA e a Europa.

A Abrasco alertou sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e na segurança alimentar. Segundo dados da Anvisa, o mercado nacional de venda de agrotóxicos movimentou na última safra (2º semestre de 2010 e o 1º semestre de 2011) 936 mil toneladas de produtos, sendo e 246 mil toneladas importadas. Em 2011 houve um aumento de 16% no consumo, que alcançou uma receita de US$ 8,5 bilhões.

As lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açucar representam juntas 80% do total das vendas do setor. Na safra de 2011 no Brasil, foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos), o que corresponde a cerca de 853 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas. O consumo médio por hectare nas lavouras é de12 litrospor hectare, segundo o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística).

A soja foi o cultivo que mais demandou agrotóxico – 40% do volume total de herbicidas, inseticidas, fungicidas e acaricidas. Em segundo lugar no ranking de consumo está o milho com 15%, a cana e o algodão com 10%, depois os cítricos com 7%, e o café, trigo e arroz com 3% cada. Já para a produção de hortaliças, em 2008, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), o consumo de fungicidas atingiu uma área potencial de aproximadamente 800 mil hectares, contra 21 milhões de hectares somente na cultura da soja.

“Isso revela um quadro preocupante de concentração no uso de ingrediente ativo de 22 fungicidas por área plantada em hortaliças no Brasil, podendo chegar entre8 a16 vezes mais agrotóxico por hectare do que o utilizado na cultura da soja, por exemplo”, alertou a Abrasco. A associação revelou ainda evidências científicas relacionadas aos riscos para a saúde humana da exposição aos agrotóxicos por ingestão de alimentos.

De acordo com especialistas, o consumo prolongado de alimentos contaminados por agrotóxico ao longo de 20 anos pode provocar doenças como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais. Um fato alarmante foi a constatação de contaminação de agrotóxico no leite materno. Não se sabe ainda ao certo as consequências para um recém-nascido ou um bebê que está em fase inicial de formação.

Segundo o IBGE, cerca de 70 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar e nutricional, sendo que 90% desta população consome frutas, verduras e legumes abaixo da quantidade recomendada para uma alimentação saudável. A Abrasco defende a proibição de agrotóxicos já banidos em outros países e que apresentam graves riscos à saúde humana e ao ambiente, assim como o fim da pulverização aérea de agrotóxicos.

Fonte: AgnoCafe | Café da Terra

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