
As chuvas na região em junho atingiram o café na fase “cereja”, pronto para ser colhido, diz Lúcio Dias, superintendente comercial da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Conforme Dias, as chuvas possibilitaram a disseminação do fungo fusarium, causando fermentação e estragos. O clima mais úmido que no ano passado prejudicou a qualidade do café especialmente nas regiões montanhosas de Minas, segundo Dias.
Diante desse cenário, a estimativa é que a produção de café fino para melhor será de apenas 45% da safra dessas regiões montanhosas no Sul mineiro, ante um índice usual de 85%, segundo Dias. Em outras regiões em que a Cooxupé atua, como no Cerrado Mineiro e o Vale do Rio Pardo (SP), não houve tantos problemas com a qualidade, segundo o superintendente da cooperativa.
Entretanto, o café colhido nessas regiões é menor que o normal. “Não sabemos ainda o que aconteceu”, afirmou. Nesta safra, apenas de 23% a 25% dos grãos apresentam peneira “17 acima” (grãos mais graúdos), ante um percentual tradicional de 35%, afirma ele.
Dias estima também que o produtor, por estar desanimado com o mercado, entregou mais café em julho e agosto do que no mesmo período em anos anteriores.
A grande disponibilidade de café rio no mercado fez o preço recuar cerca de R$ 25 por saca em uma semana na praça de Varginha, segundo Alvarenga, da VCC, caindo de R$ 240 para R$ 215. Já o café de melhor qualidade (bebida dura) está entre R$ 285 e R$ 295 por saca.
Com a queda da cotação do café arábica bebida rio, o produto está mais barato até que o robusta, variedade de pior qualidade. Segundo Dias, da Cooxupé, isso aumenta a demanda pelo produto para exportação a mercados como o Leste Europeu.
Cooperativas e corretoras confirmam que o produtor está segurando o café de melhor qualidade, à espera de preços melhores ou para entregar o grão ao governo nos leilões de opções de venda, cujo edital deverá sair nesta semana.
Fonte: Valor Econômico (Carine Ferreira)



