
No seu primeiro levantamento, a autarquia havia estimado uma safra de 46,5 milhões a 50,1 milhões de sacas. Conforme o pesquisador, a seca atingiu os grãos na fase de sua formação e o peso deles será 10% a 20% menor. Segundo ele, as lavouras que mais sofreram com esse revés do clima são as jovens, instaladas em áreas de baixa altitude e mal adubadas."É só no segundo semestre que vamos ter a real noção do prejuízo", diz Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooxupé. Considerada a maior cooperativa de cafeicultores do mundo, com 11,5 mil associados e instalada em Guaxupé (MG), a Cooxupé atua no Sul de Minas, Cerrado mineiro e Vale do Rio Pardo (SP). O presidente tem ciência das notícias ruins que irá receber em setembro, quando termina a colheita – "o prejuízo da seca é irreversível", diz – mas considera que a bienalidade poderá atenuar essa fase adversa com uma colheita de 5, 5 milhões de sacas, em comparação às 4,6 milhões do ano passado. A previsão de exportação da cooperativa é de 3 milhões de sacas, ante as 2,8 milhões de sacas em 2013. "Por enquanto, a situação do café é complicada e o mercado é repleto de interrogações", avalia Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, em Santos (SP). Segundo ele, a produção nacional abaixo do previsto aponta para uma tendência de alta de preços. Carvalhaes comenta que em dezembro de 2013, a saca do café arábica – que rende grãos mais nobres e bebida de melhor qualidade – era comercializada por R$ 275. Na semana passada, esse preço atingiu R$ 420, mas antes chegou a R$ 480. O cafeicultor Francisco Miranda, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), que reúne 5 mil associados no sul de Minas Gerais, aguarda por preços melhores como recompensa pela safra que será menor do que o planejado. "É a esperança", diz. Pelos seus cálculos, a cooperativa vai receber entre 800 mil e 1 milhão de sacas neste ciclo 2014/2015. No período anterior, foram 1,5 milhão de sacas. A colheita atual nem bem começou e Miranda já volta seus pensamentos e preocupações para a próxima safra.
Como cafeicultor, ele sabe que a planta que não se desenvolveu o suficiente, não garante uma boa produção no ano que vem. Além disso, se o inverno for seco, a planta terá um déficit hídrico no período da florada, afetando o próximo ciclo. Se chover, melhora a safra seguinte, mas piora a qualidade do produto que está sendo colhido no campo. "Em resumo, não tem para onde correr." Na avaliação da barista Cecília Sanada, do Ateliê Café Daterra, é preciso "deixar a safra andar um pouquinho para avaliar com mais segurança a qualidade do café que vai entrar no mercado", afirma.
Fonte: Valor Econômico



