Por Rodrigo Costa*

Mais importante ainda sãos os prognósticos de redução em investimento no país frente as barreiras tarifárias na exportação, potencialmente atraindo capital que esteja focado “apenas” no aumento do consumo local.
O tom mais cauteloso do presidente do banco central Europeu, Mario Draghi, mantendo os juros inalterados, estimando um crescimento menor e suspendendo o plano de compra de ativos, se juntou às incertezas sobre o Brexit, respingando nos ativos de risco em geral.
O dólar se beneficiou, como porto seguro, tendo o DXY (índice do dólar) atingido o maior nível do ano – ou o mais alto patamar desde junho de 2017, enquanto os índices de commodities voltaram a ficar pressionados.
O café falha seguidamente em segurar módicos ganhos em Nova Iorque e como consequência atrai fundos de sistema do lado vendedor levando o contrato de março a ficar apenas US$ 3.20 centavos por libra da mínima – feita em setembro último.
Em Londres o contrato contínuo da segunda posição está a apenas 4 dólares para fazer uma nova mínima do ano e tocar no menor patamar desde março de 2016, justamente no momento em que o Vietnã se aproxima do final de sua colheita.
A perspectiva de uma produção recorde do conilon brasileiro pode ser um fator adicional do sentimento negativo ao terminal do robusta, entretanto os preços do mercado interno brasileiro já começam a preocupar a sustentação da cultura para o longo-prazo – o que não altera em nada o curto-prazo e (infelizmente) um eventual exagero ainda maior da queda.
A arbitragem entre os dois mercados, US$ 35 centavos, em teoria poderia permitir que o arábica não fosse mais contaminado, mas acontece que a estratégia de segurar fixações por parte dos produtores da América Central e Colômbia, fazendo vendas sem preço definido, contribuem para os baixistas acreditarem em limitações em ganho da bolsa. O mesmo método de negociação tem sido praticado no robusta, muito embora os produtores vietnamitas já mostraram diversas vezes o quanto de folego tem para retrair ofertas.
As exportações brasileiras em novembro encerraram em 3,689,256 sacas, segundo a CECAFE, aquém do recorde de outubro e provavelmente os embarques de dezembro devem ficar relativamente próximos.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos revisou em seu relatório de dezembro a produção mundial de café no ciclo 2018/2019 para 174,49 milhões de sacas, estimando um consumo de 163,59 milhões, ou seja, um superávit de 10.9 milhões de sacas de sessenta quilos – acima do consenso do mercado. O salto frente a primeira estimativa foi de 3 milhões de sacas, basicamente o ajuste feito da safra brasileira (de 60.2 milhões para 63.4 milhões).
Tá difícil achar algo para ajudar uma alta nos preços!!
Os dois maiores fundos de índice (BCOM e SPGSCI) no ajuste de suas carteiras que acontecem entre os dias 8 e 14 de janeiro devem comprar 6,445 lotes de do contrato “C” na ICE, considerando o fechamento do dia 4 de dezembro – segundo o Société Generale. O volume é insuficiente para animar os operadores.
Talvez o que haja de positivo é a expectativa dos investidores internacionais se animarem com o Brasil e colocarem dinheiro de volta no mercado acionário, após terem retirado o maior valor da bolsa desde 2008. Caso o vice-presidente do Bradesco esteja certo, uma entrada de US$ 100 bilhões firmaria o Real, dando um motivo para o café subir.
O problema para o produtor brasileiro é que a conversão em para reais por saca não deve se alterar tanto, pois o histórico recente tem mostrado uma correlação grande entre a apreciação do Real e do café.
Uma ótima semana e bons negócios a todos.
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda





