Pouca chuva e muito calor fizeram um estrago considerável nas lavouras de café do Brasil neste ano. A estimativa inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada no fim de 2013, era de uma colheita de cerca de 60 milhões de sacas. No início deste ano, quando o quadro de seca ficou claro, a estimativa foi reduzida para 48,34 milhões de sacas, o que já representaria uma queda de 1,64% em relação às 49,15 milhões de sacas colhidas em 2013. Mas, mesmo essa previsão se revelou otimista. O setor já espera uma quebra entre 15% e 30% na produção estimada para este ano.
A nova estimativa oficial deve ser divulgada nesta quinta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Só aí vamos saber o tamanho do estrago”, diz a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.
O presidente da Cooperativa de Cafeicultores da zona de Três Pontas (Cocatrel), Francisco Miranda de Figueiredo Filho, está bem pessimista. “Pelas amostras que estão chegando, o quadro é muito ruim. Se chegarmos a 40 milhões (de sacas) é muito”, afirma. A cooperativa tem cerca de 5.000 associados em 60 municípios mineiros.
Minas Gerais é o Estado que mais sofre com a quebra de safra, porque o Estado é o maior produtor nacional, respondendo por cerca de 50% da colheita total. Para evitar perdas maiores, os produtores anteciparam o início da colheita para abril. Normalmente, os grãos começam a ser colhidos em maio, explica a técnica da Faemg. O quadro climático atípico acelerou a maturação dos grãos, que estão lado a lado com outros mal formados.
Bianual. Aline Veloso explica que em condições normais, essa safra deveria ser significativamente maior do que a do ano passado. A cultura do café tem uma característica bianual, com um ano de boa colheita e o ano seguinte com produção menor. O ano passado foi o de colheita menor e esse deveria ser o de produção maior.
“Com este resultado nesta nova safra, quebra-se a tendência de crescimento da produção que, desde a safra 2005, vinha se observando nos ciclos de alta bienalidade, inclusive ficando abaixo da última safra que foi de baixa”, diz o texto da primeira estimativa divulgada pela safra da Conab. A safra de 2012, a última da alta produção, foi de 50,82 milhões de toneladas de sacas.
Cafeicultores pedem socorro ao governo
Os produtores de café foram ontem (06/05) ao Ministério da Agricultura pedir a implantação de uma política de valorização da cultura. Renegociação de dívidas e crédito para investir nos cafezais foram algumas das propostas apresentadas.
A coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, explica que alguns produtores estão endividados e a quebra da safra atual deve piorar a situação. “Como os preços de 2011 e 2012 não estavam remunerando bem, muitos não conseguiram investir nas lavouras”, afirma ela.
No ano passado, a saca de 60 quilos de café era vendida por R$ 298,18. Hoje, justamente por causa da produção menor, o preço disparou. Em abril, a saca era vendida por R$ 446,55, valor 49,7% maior do que o praticado há um ano.
Como o café colhido neste ano deve ter uma qualidade pior, também devido a fatores climáticos, a Faemg acredita que a tendência seja de redução de preços, mas não ao mesmo nível praticado em 2013. “Os preços vão mudar. O valor é pago de acordo com a qualidade”, diz o presidente da Concatrel, Francisco Miranda de Figueiredo filho.
Varejo
Estável. A variação do preço do café ao produtor não chegou ao varejo. Segundo o Ipead/UFMG, o preço do pacote de 600 gramas caiu 6% em Belo Horizonte nos últimos 12 meses.
Fonte: O Tempo




