Rodrigo Costa*

Nos Estados Unidos 3,283 milhões de cidadãos aplicaram para o auxílio-desemprego apenas na semana passada, um assustador recorde indicando o quão séria a crise econômica pode se tornar caso a quarentena tenha que durar muito – por ora o crescimento do número de casos de COVID-19, ainda mais aqui em Nova Iorque, não dá outra alternativa segura do ponto de vista de saúde.
Frente à tanto dinheiro injetado no sistema, apenas nos EUA o congresso aprovou um pacote de 2 trilhões de dólares, as bolsas de ações subiram acentuadamente na semana, o dólar americano desvalorizou e as commodities recuperaram.
O café arábica foi acima de US$ 130 centavos por libra-peso impulsionado pelo estreitamento maior da estrutura, na quinta-feira, para então ceder e encerrar os últimos cinco dias com 3% de queda – ou US$ 3.90 centavos por libra.
As moedas das duas principais origens do arábica estão muito próximas das baixas históricas negociadas recentemente, talvez pelo receio natural dos investidores nas economias mais frágeis e do risco em geral para os emergentes da pandemia estressar ainda mais a infraestrutura.
A volatidade do contrato “C” (dos futuros isoladamente e mais ainda dos spreads) acompanha a ansiedade dos operadores, ora preocupados com o fluxo da mercadoria saindo das fazendas e passando pelos portos, ora de olho na demanda forte nas prateleiras dos supermercados.
Os diferenciais de reposição cederam no Brasil com a movimentação recente do terminal aliada a desvalorização da moeda brasileira que levou Nova Iorque ao maior nível em Reais da história, R$ 649.80 por libra-peso.
O bom volume reportado de negócios das principais praças não se resumiu ao disponível – percebido anteriormente como escasso, mas mais uma vez demonstrando que a alta no preço encoraja a “desestocagem” – como também em negócios futuros, da safra 20/21 e 21/22.
Exportadores tentam facilitar o fluxo para fora, mas encontram dificuldades de disponibilidade de containers, marcar praças nos navios em datas próximas e do ponto de vista de preço a inversão dos spreads não faz do basis atrativo o suficiente para os compradores internacionais que não estão no segmento mais beneficiado no momento.
Do lado do produtor ouvem-se reclamações de um número menor de empresas participando na originação com a liquidez parcialmente prejudicada por funcionários estarem em quarentena e em alguns casos por aperto no crédito.
Para os cafés suaves nada muda na firmeza dos prêmios, muito pelo contrário já que não param de encarecer e em nada acompanham as oscilações da bolsa.
Tecnicamente Nova Iorque deixou um gap na sexta-feira e fechou nas mínimas, mas se consolidar acima de 115.65 não deve atrair muita venda.
A oscilação do spread de maio/julho deve continuar forte até o começo do período de entrega em meados de abril, colaborando para os solavancos do terminal.
Uma ótima semana a todos com muita saúde e cautela,
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda





