O Ministério da Agricultura pretende reduzir a volatilidade dos preços do café por meio do incentivo ao aumento da produtividade dos cafezais. O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, José Gerardo Fontelles, diz que o objetivo é levar aos agricultores as tecnologias hoje disponíveis, como novas formas de manejo e adensamento, para encurtar a oscilação bienal da produtividade das lavouras, pois o café tem um ano de safra cheia seguido de outro com menor produção.

Gerardo Fontelles diz que prefere não arriscar números sobre o potencial de aumento da produtividade e destaca que o mais importante para o cafeicultor é a estabilidade de produção e de preços, que permite assegurar a renda e garantir o investimento nos tratos culturais necessários nas lavouras. Ele diz que o alvo da ação do governo federal, que irá atuar em conjunto com as empresas estaduais de extensão rural, será os pequenos produtores, que colhem em média 8 sacas de café por hectare.
A questão do investimento em pesquisa e extensão rural foi um dos assuntos discutidos nesta quinta-feira pelo Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), que reúne representantes do governo e do setor privado. Outro assunto debatido foi o apoio financeiro anunciado na semana passada pelo governo para incentivar a estocagem pelos cafeicultores, para a compra de café e para capital de giro das torrefações.
Silas Brasileiro afirmou que o volume de recursos anunciado para financiar a estocagem de café pelos produtores – R$ 1,5 bilhão do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Fundafé) e mais R$ 2 bilhões do Banco do Brasil – será suficiente para impedir que o excesso de oferta de café no período de colheita exerça pressão sobre os preços. Ele diz que algumas medidas sugeridas por produtores, como a realização de leilões de opções para retirada de 5 milhões de sacas do mercado, ainda são prematuras, pois é preciso primeiro aguardar o comportamento do mercado nos próximos meses.

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, afirmou que os recursos disponibilizados pelo Funcafé (R$ 200 milhões) para financiar o capital de giro das micro e pequenas torrefações permitirá às empresas conviver com a alta de custos da matéria-prima sem comprometer a qualidade do produto final. Ele diz que o setor convive com o empobrecimento das pequenas empresas, que enfrenta dificuldades para repassar os aumentos de custos para o varejo.

Fonte: Agência Estado




