
De acordo com Franzini, uma melhor observação dos danos será feita durante a floração dos cafezais, entre setembro e outubro. Os últimos relatos são de que até 80% das lavouras paranaenses apresentam danos "visíveis" devido ao frio intenso.
Caso reste pouco café nas plantas, pode não ser economicamente viável manter esses frutos, explica Franzini. Diante desse cenário, o cafeicultor pode ter de fazer o esqueletamento (podas laterais) para que os ramos voltem a produzir a partir de 2015. "A geada tem um lado positivo também, que é o produtor fazer a reforma da lavoura de café", pondera.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Paraná vai colher entre 1,6 milhão e 1,8 milhão de sacas na safra atual (2013/14), o que corresponde a 3,5% da produção nacional. Embora o Estado seja apenas o quinto maior produtor do país, muitos municípios ainda dependem da cafeicultura. Conforme o Deral, 64% das propriedades rurais do Paraná têm o café como principal atividade.
As geadas foram a "gota dágua para o produtor que estava desanimado sair da atividade", afirma Roberval Simões Rodrigues, engenheiro agrônomo da Cooperativa Agropecuária e Industrial de Mandaguari (Cocari), um dos municípios que dependem muito da atividade. Segundo ele, alguns produtores estão migrando para a pecuária ou arrendando suas terras para a soja.
Franzini conta que há produtores erradicando áreas ou na iminência de erradicar, principalmente os que se dedicam também a outras culturas. A tendência, diz, é que a área dedicada à cultura seja reduzida, embora ainda não se saiba em quanto. O Paraná cultiva café em cerca de 82 mil hectares.
Apesar dos preços baixos, pondera Franzini, produtores que colhem 40 sacas de café por hectare obtêm rentabilidade duas vezes e meia maior que a da soja. "O café é viável economicamente com sistema mecanizado". Rodrigues, da Cocari, defende que a mecanização é o modelo que deve ser adotado no Estado. Entretanto, o problema climático frustrou investimentos. "Teve produtor que cancelou pedido de colheitadeira com a geada".
Fonte: Valor Online (Carine Ferreira)




