O aumento de preços e a safra cheia farão a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) bater todos os seus recordes comerciais em 2010. Maior cooperativa de café do mundo, a Cooxupé deve faturar neste ano R$ 1,8 bilhão, cerca de 15% acima do R$ 1,56 bilhão registrado no ano passado, segundo o presidente Carlos Alberto Paulino da Costa. Cerca de 75% da receita da Cooxupé vem da comercialização do café verde (cru). A venda de insumos responde por 20% e outras atividades somam 5%.
Embora pareça um crescimento pequeno, considerando que a safra cresceu quase 20% e o preço do café subiu outros 50%, os números da Cooxupé mostram que os produtores estão conseguindo guardar parte da safra para vender no ano que vem, quando a produção tende a ser menor por conta da bianualidade da produção.
A Cooxupé deve concluir a safra com um recebimento de 5 milhões de sacas de 60 quilos em seus armazéns, mas apenas 4,5 milhões de sacas devem ser comercializadas. No ano passado, apesar de a produção nacional ter sido 20% menor, a cooperativa vendeu quase o mesmo volume, 4,2 milhões de sacas. Isso porque os preços bons estimulam o produtor a segurar seu café no momento de grande oferta como o atual, com a colheita praticamente concluída.
Estratégia
Apesar da crise do setor cafeeiro dos últimos anos, a Cooxupé conseguiu resistir com margens positivas ano após ano. Paulino diz que,como uma intermediária do mercado,a empresa sempre consegue garantir margens positivas, independente dos preços praticados. "Quem quebra as cooperativas são os cooperados, quando não pagam suas dívidas com elas. Mas nós temos uma política rigorosa de crédito", explica.
Para acelerar o processamento do café, reduzir custos e permitir uma armazenagem maior, a Cooxupé deve concluir até março de 2011 um novo complexo em Guaxupé, com capacidade para armazenar 1,1 milhão de sacas e processar 10 mil sacas por dia, dobrando o volume diário atual. "Já investimos R$ 31 milhões e faltam R$ 20 milhões até a conclusão da obra", diz Paulino.
Custos
Além dos efeitos mais óbvios no bolso do agricultor, o resultado benéfico da dupla safra boa/preços altos é amplificado pela diluição dos custos de produção.
No ano passado, o cafeicultor Hugo Villas Boas colheu 1.529 sacas, a um custo de R$ 338 cada. O melhor preço atingido no ano em sua região, Guaxupé (MG), foi de R$ 280. Neste ano, sua colheita foi muito maior, de 4.800 sacas.
Por isso, o custo por saca caiu para R$198.Com um preço de mais de R$ 300 a saca na região de Guaxupé, fica fácil entender a animação do cafeicultor para voltar a investir. Villas Boas ainda acertou na estratégia de comercialização, quando decidiu não vender nada de sua produção no ano passado.
"Fiquei pagando juros ao banco esperando preços melhores, mas essa foi uma decisão minha e não é todo mundo que tem crédito", diz. Agora, na soma das duas safras de custos e preços tão distintos, ele conseguiu ficar no azul, pagar os bancos e ainda deixar uma parte da safra guardada na cooperativa. "É como um seguro para o ano que vem, porque se a seca for brava como está parecendo, a safra será pequena e terei café guardado para compensar."
Fonte: Página Rural




