CNC: exportações totais atingem 2.170.044 sacas de café no primeiro mês deste ano

A cotação do café apresentou leve recuperação na semana passada. Até o fechamento deste informativo, no final da manhã do dia 24 de fevereiro (sexta-feira), o contrato maio/2012 da Bolsa de Nova York operava a 203,85 centavos de dólar por libra peso. Se compararmos com o preço médio praticado no pregão de NY durante o ano de 2011, que foi de 227,50 centavos – de acordo com dados da OIC –, a cotação atual do contrato maio/12 está 11% abaixo da média praticada no ano anterior.

O Departamento do Café do Ministério da Agricultura divulgou, no dia 23 de fevereiro (quinta-feira), o Informe Estatístico do Café referente a janeiro de 2012. O documento comunica que as exportações totais atingiram 2.170.044 sacas no primeiro mês deste ano, representando queda de quase 1 milhão de sacas — ou 28,66% — em relação ao volume apurado em dezembro de 2011, quando foram exportadas 3.041.702, e de 21,76% na comparação com o montante embarcado no primeiro mês de 2011 (2.773.503 sacas). Estes números confirmam as informações de nossa análise de mercado da semana passada, demonstrando que realmente o volume disponível para exportação até a entrada da próxima safra é escasso, e que o Brasil deverá registrar um curtíssimo estoque de passagem.

Outro dado interessante é que os produtores aproveitaram muito bem os bons preços praticados pelo mercado no ano passado, tendo comercializado, até o final de dezembro, aproximadamente 80% da safra 2011. Por outro lado e como consequência do bom aproveitamento das condições de mercado pelos produtores, as indústrias aumentaram seus estoques no segundo semestre.

Duas interrogações fundamentais irão ditar o ritmo dos preços nos próximos meses: .Em quanto as grandes indústrias irão reduzir suas compras e diminuir seus estoques até a entrada da safra brasileira (sabendo do risco sempre presente do frio intenso na entrada do inverno nas regiões de montanhas, que produzem os cafés que estão mais escassos no mercado)?.

.Qual a disposição e a necessidade dos produtores, que já comercializaram cerca de 80% de sua safra, em ceder aos níveis atuais praticados nas bolsas? A queda do volume comercializado neste início do ano mostra, aparentemente, uma resistência dos cafeicultores brasileiros em colocar no mercado o saldo de sua safra nos preços atuais.

Fonte: CNC