
As vendas à região avançaram em volume e em receitas, diferentemente das exportações totais do País no período, que cresceram apenas em quantidades, mas recuaram em preços. Para o diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga, isso ocorreu provavelmente porque os árabes estão comprando mais diretamente do Brasil e menos de intermediários de outros países.
“Isso tem a ver com o fluxo, eles estão comprando mais diretamente do Brasil”, afirmou o executivo à ANBA. “O volume [importado] foi muito diferente de um ano para outro, houve uma troca de origem”, acrescentou.
Braga destacou que diversos países árabes são importadores tradicionais do café brasileiro, como Síria, Líbano, Tunísia e Jordânia. Os quatro são os principais importadores de café verde brasileiro na região. A Arábia Saudita é a maior compradora de café solúvel.
No total, as exportações brasileiras de café somaram pouco mais de US$ 3 bilhões de janeiro a julho, uma redução de 13,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram embarcadas 17 milhões de sacas, um aumento de 15,7% na mesma comparação.
Segundo o diretor-geral do Cecafé, o preço do produto caiu 25% no mercado internacional desde o começo do ano. Nos últimos 24 meses o recuo chega a 45%. Daí a diminuição das receitas de exportação, apesar do avanço do volume embarcado.
Isso ocorreu porque vários países produtores, principalmente asiáticos, ampliaram muito a produção nos últimos anos. “Este excesso de oferta enfraqueceu um pouco os preços”, declarou Braga. Além disso, ele ressaltou que os mercados mais importantes da commodity, como Europa, Estados Unidos e Japão, vêm tendo desempenho econômico pífio, o que inibe a demanda.
De acordo com ele, esse processo já dura três anos, mas há sinais de que ele esteja no fim. Com a queda dos preços, a produção também acabou caindo e os investimentos na lavoura recuaram, o que deverá “ajudar a corrigir” as cotações, na avaliação de Braga.
Fonte: ANBA – Agência de Notícias Brasil-Árabe




