Analista destaca volatilidade do mercado com o “clima”

O clima continuou dominando as análises e levando as bolsas de futuro a trabalhar com muita volatilidade com o café na última semana. A cada novo boletim meteorológico as cotações subiram ou desceram com força, como se a chegada do período de chuvas sobre as regiões produtoras de café no Brasil resolvessem instantaneamente os problemas de abastecimento mundial. Os comentários partem do boletim semanal do Escritório Carvalhaes.

Segundo Carvalhaes, interesses de curto prazo tentam convencer os operadores que a razão da alta nas cotações do café é a falta de chuvas sobre os cafezais brasileiros e não os baixíssimos estoques globais, resultado de muitos anos de desestímulo aos investimentos dos produtores de café em todo mundo. Ignoram também as mudanças climáticas com o aquecimento global e o aumento do consumo, comentou.

Chuvas em quantidade suficiente nos próximos meses evitarão que a próxima safra brasileira de café sofra uma quebra ainda maior, o que seria catastrófico para o mercado mundial de café, mas não farão que ela deixe de ser de ciclo baixo e bem menor que as necessidades brasileiras de exportação e consumo no ano-safra 2011/2012, adverte o boletim. "Não criarão estoques de segurança para o mercado mundial. Não resolverão os problemas da produção colombiana e da renovação do parque cafeeiro do Vietnã. Não estimularão o aumento da área plantada no Brasil, nem darão solução para os baixos estoques de café certificado na ICE e nas demais bolsas de futuro. Enfim, não resolverão os problemas estruturais que levaram à correção de preços no mercado mundial de café", avaliou Carvalhaes.

As chuvas e uma queda na correção de preços resolverão os problemas de curto prazo de alguns operadores mal posicionados, mas não irão alterar os estoques mundiais e os demais fatores que trouxeram o mercado para o patamar atual. Portanto, em nossa opinião, absorvido o impacto desta "nuvem de fumaça"da chegada das chuvas, os fundamentos deverão voltar a se impor e as cotações do café a refletir esse quadro de estoques baixos e equilíbrio precário entre produção mundial e consumo.

Segundo Carvalhaes, consideramos o patamar atual de preços apenas uma correção saudável para compensar a perda do valor do dólar, os salários mais dignos para os trabalhadores e uma renda que estimule os cafeicultores em todo omundo a permanecer na atividade, investir para melhorar a qualidade, aumentar a produtividade e conservar o meio ambiente. O aflitivo quadro de estoques baixos e produtores desestimulados nada mais é que o resultado de anos e anos de preços contidos pela pressão de análises em cima do "preço histórico" do café, que ignora as imensas mudanças na economia mundial, no clima e nos hábitos de consumo, observou.

A 105 Sessão do Conselho Internacional do Café, realizada na última semana em Londres na sede da OIC Organização Internacional do Café, foi marcada pela despedida do atual diretor executivo da OIC, Sr. Nestor Osório, que prestou imensos serviços aos negócios do café e parte agora para uma nova missão, lembrou Carvalhaes. Irá representar seu país, a Colômbia, junto a ONU Organização das Nações Unidas.

Nas conversas e debates durante a 105 Sessão, ficou clara a preocupação de representantes de diversos países produtores e consumidores com o quadro atual.

Foram ainda discutidas ações para o aumento de produção e consumo, mudanças climáticas, agregação de valor ao robusta e desenvolvimento da qualidade, concluiu Carvalhaes.

Fonte: Safras & Mercado