A cafeicultura é uma atividade que favorece o desenvolvimento da agricultura nacional, pois demanda grande quantidade de mão-de-obra, sendo por tudo isso, uma importante aliada da economia brasileira. Desde o inicio, a cafeicultura proporcionou aberturas para o crescimento do mercado de trabalho, desde então, a produção mundial cresceu rapidamente, mostrando fundamentais pontos positivos na concorrência, no preço e na qualidade.
No Brasil são comercializadas as espécies do gênero Coffea canephora, e Coffea arabica L., cujos frutos são mais apreciadas pela melhor qualidade da bebida que apresenta. A qualidade da bebida do café depende das substâncias que vão formar o aroma da bebida e o sabor, vindas da composição química dos grãos. A etapa Pós–colheita quando mal conduzida pode levar a ocorrência de modificações indesejáveis e detrimentais à qualidade do café e ser responsável pelas diferenças entre os graus de classificação da bebida.
O grão de café é um complexo de atributos físicos e químicos que ao chegar ao ponto de maturação ideal (cereja), resultará em excelentes aspectos sensoriais. O mais curioso é que não consumimos banana verde ou goiaba podre, porém adaptamos ao consumo da bebida do café tanto de frutos verdes como bóia, varrição. O ponto de colheita é um dos primeiros patamares visando agregação de valor ao produto, um dos primeiros! Muitos produtores decidem antecipar a colheita, muitas das vezes pelo espaço de tempo a ser feito o trabalho, pela quantidade de mão de obra e até mesmo pelo tamanho do terreiro a ser utilizado devido ao período de secagem dos frutos.
Uma colheita planejada, com cuidados como: não pisotear nos frutos, limpeza do panos, balaios, carretas (devido aos frutos dos lotes anteriores que podem prejudicar os da colheita recém feita); não deixar frutos no pé de café; levar imediatamente ao terreiro ou realizar o processamento de acordo com o nível tecnológico que cada produtor possui, são pequenos itens que podem ser incorporados para manter a qualidade do grão. Lembrando: Nível tecnológico não é sinônimo de qualidade, desde que o produtor saiba conduzi-lo de forma correta.
A etapa de secagem é mais um patamar: limpeza do terreiro, da área de processamento, dos utensílios necessários….muitas das vezes o produtor faz tudo corretamente, mais esquece de pequenos detalhes; não sei se é um processo de fermentação adequado como o do Kopi LuwaK ou do Jacu Bird, mais fezes de cachorro, galinha ou até mesmo de vaca no terreiro acredito que seja algo depreciador. Não deixe animais em contato com o terreiro!
Cuidado com frutos em perfeita maturação: colocar no terreiro e revolvê-los pode resultar em frutos descascados com lote com casca, secagem desigual (devido ao atrito direto com o terreiro: imagina cair de joelho no cimento). Secando em camadas finas, esperar com que a casca perca um pouco do teor de água para começar os processos de revolvimento. A espessura da camada de secagem deve aumentar de acordo com o teor de umidade do fruto, quanto menor a umidade, maior a espessura. A chuva é uma das dificuldades enfrentadas nesta etapa. Em caso da decorrência das chuvas, o recomendado é revolver os frutos o maior número de vezes possível.
Os produtores que permanecem em boa situação no mercado são os que apresentam uma significativa produção, sem extrapolação de custos e respeitando as exigências em qualidade. O diferencial para alcançar preços mais justos no mercado consumidor é apreensão com a melhoria contínua do produto.
QUALIDADE: ELABORAR PRODUTOS QUE ATENDA AS EXIGENCIAS DOS CONSUMIDORES, FAZENDO-OS DE FORMA CORRETA AS VISTAS OU LONGE DOS OLHOS DO PÚBLICO.
* Bruno Ribeiro – Tecnólogo na área de Cafeicultura pelo Instituto Federal de Educação, Ciencia e Tecnologia do Sul de Minas Gerais. Formado pelo Curso Avançado de Degustação de Café – Metodologia SCAA (Centro de Preparação do café).

