Tríplice Fronteira vai integrar cafés do Caparaó ao Rio de Janeiro em 2027

Projeto que já reúne Espírito Santo e Minas Gerais prepara entrada do Rio de Janeiro, com foco na valorização dos cafés especiais e no fortalecimento do turismo regional

A integração entre produtores de cafés especiais do Espírito Santo e de Minas Gerais deve ganhar um novo participante em 2027. O projeto Governança sem Fronteiras prepara a entrada do Rio de Janeiro na iniciativa, com a incorporação de Varre-Sai, município do Noroeste Fluminense conhecido pela produção cafeeira. A expansão dará origem à chamada Tríplice Fronteira, estratégia que pretende aproximar produtores, empresários e instituições dos três estados.

A novidade foi antecipada pelo gestor de Desenvolvimento do Sebrae-ES, Anderson Baptista, durante o Arábica Coffee Festival, realizado em Reduto, Minas Gerais.

“Estamos, em 2027, lançando a Tríplice Fronteira, onde o Rio de Janeiro, que tá aqui no Noroeste do Rio de Janeiro, Varre-Sai, um grande evento de cafés, estará sendo incorporado nessa estratégia do Governança sem Fronteiras”, revelou.

A proposta amplia um trabalho de articulação regional que começou há cerca de dois anos e busca transformar a qualidade dos cafés em oportunidades de negócios, turismo e desenvolvimento econômico.

Primeira experiência em Minas Gerais

O Arábica Coffee Festival marcou uma nova etapa dessa articulação. Segundo Baptista, o evento foi o primeiro realizado em território mineiro dentro da estratégia Governança sem Fronteiras e reuniu expositores dos dois estados em proporções iguais.

“Importante destacar que o Arábica Coffee Festival é o primeiro evento que consolida uma ação que foi pensada há dois anos, de uma Governança sem Fronteiras inspirada nos produtores rurais”, afirmou.

A integração também pretende ampliar a permanência dos turistas na região. Em vez de concentrar a visita em apenas um município, a proposta incentiva roteiros que combinem experiências gastronômicas, propriedades cafeeiras, hospedagens e atrações naturais.

“Você pode tomar café no Espírito Santo e se hospedar numa bela hospedagem em Minas Gerais; você pode tomar um café em Minas Gerais e se hospedar no Espírito Santo”, exemplificou Baptista.

Dessa forma, a circulação de turistas poderá beneficiar outros segmentos econômicos, como restaurantes, hotéis, comércio e serviços, além dos próprios cafeicultores.

Rio de Janeiro amplia o alcance da iniciativa

A escolha de Varre-Sai para a nova etapa acompanha o movimento de valorização da cafeicultura no Noroeste Fluminense.

O município, reconhecido como Capital Estadual do Café, realizou em setembro de 2026 a primeira edição do Festival do Café. O evento reuniu produtores, empresários e visitantes em atividades relacionadas aos cafés especiais, à gastronomia e ao turismo rural.

Além disso, o Sebrae-RJ desenvolve iniciativas para fortalecer a competitividade dos produtores e apoiar o projeto de Indicação Geográfica dos Cafés do Alto Noroeste Fluminense.

A entrada prevista de Varre-Sai na Governança sem Fronteiras poderá aproximar essas iniciativas do trabalho que já ocorre no Caparaó capixaba e mineiro.

Entretanto, a ampliação da parceria não significa uma mudança automática na área reconhecida pela Denominação de Origem do Café do Caparaó. O registro, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2021, contempla 16 municípios, sendo dez capixabas e seis mineiros.

Café especial impulsiona novos negócios

A qualidade dos grãos produzidos nas montanhas representa um dos principais pilares da estratégia. Conforme Baptista, a região já produz cafés que ultrapassam 90 pontos nas avaliações sensoriais, resultado que coloca esses lotes entre os de elevada qualidade.

Para ele, porém, a valorização do produto precisa ir além das características da bebida. O trabalho envolve melhorar embalagens, desenvolver marcas, divulgar a origem dos grãos e aproximar consumidores das histórias das famílias produtoras.

“O poder do café está em você aproveitar um terroir e unir as pessoas. Eu sempre acredito na união das entidades, na união de pessoas que realmente fazem com qualidade: melhorar a sua embalagem, melhorar a sua marca, trazendo a essência da família”, afirmou.

Outro objetivo é incentivar a sucessão familiar nas propriedades rurais. Segundo o gestor, filhos de cafeicultores estão retornando ao campo com formação técnica, conhecimentos sobre análise sensorial, torrefação e gestão dos negócios.

Assim, a produção de cafés especiais também pode abrir oportunidades para que novas gerações permaneçam nas propriedades, agreguem valor à produção e ampliem a renda familiar.

Com a entrada prevista do Rio de Janeiro em 2027, o Governança sem Fronteiras pretende levar esse modelo de cooperação a um território maior, aproximando três estados que compartilham tradições ligadas à cafeicultura e ao turismo rural.

Publicado por: Portal Conexão Safra