Os frutos de café, na lavoura, ficam sujeitos à colonização por vários fungos, alguns
patogênicos, causando lesões e outros endofíticos e saprófitas, se desenvolvendo superficialmente, no tecido da casca dos frutos. Esses fungos saprófitas pertencem a vários gêneros, sendo os principais Penicillium, Aspergillus, Colletotrichum e Fusarium. Eles se desenvolvem a partir da maturação dos frutos e com maior intensidade quando os frutos se encontram nos estágios de passas e secos.
Ao crescerem, sobre os frutos, os fungos saprófitas promovem fermentações, a maioria delas indesejáveis, que afetam, de forma negativa, a qualidade da bebida dos cafés.
Na presente nota técnica objetiva-se relatar a condição diferenciada, ocorrida nas lavouras de café, na safra de 2026, com a presença mais frequente do fungo F. concolor.
O fungo Fusarium concolor pode ser identificado através da sua frutificação e seus esporos, pela cor rosa ou salmão que possuem, cobrindo os frutos. Ele aparece mais sobre frutos secos, naqueles do pé e do chão.
Nesse ano a ocorrência do F. concolor, de forma mais presente, deve estar relacionada com o período mais chuvoso e úmido no inverno, que facilitou o desenvolvimento do fungo e, ainda, em função do atraso na colheita. Nessa condição os frutos permaneceram mais tempo no campo, nas plantas e no chão.
A ocorrência de F. concolor está correlacionada com o aparecimento de grãos de café com sua abertura ventral de cor avermelhada, vulgarmente chamado de grão paquetado. A maior ocorrência desse tipo de grão está associada aos frutos caídos ao chão, indicando que, o prolongamento da colonização do fungo se reflete em seu maior efeito, internamente, sobre os grãos. Via de regra esses cafés apresentam bebidas inferiores, de padrão Rio/ Ryado.

Publicador por: Fundação Procafé





