Controle do bicho-mineiro exige monitoramento constante para preservar a produtividade do café

Práticas de manejo integrado, controle biológico e uso racional de defensivos ajudam a reduzir os danos causados pela praga na cafeicultura

controle do bicho-mineiro é uma das principais estratégias para preservar a produtividade das lavouras de café. Considerada uma das pragas mais importantes da cafeicultura, ela pode provocar até 75% de desfolha e perdas de produtividade que chegam a 85% quando não é monitorada e manejada corretamente.

Segundo o engenheiro agrônomo Leonardo Alves Guedes, do Departamento Técnico da Cooxupé, o monitoramento da infestação é fundamental para definir o momento correto de intervenção e evitar prejuízos à lavoura. O ataque ocorre diretamente nas folhas, reduzindo a área fotossintética da planta, provocando estresse fisiológico e favorecendo a queda precoce das folhas.

“O bicho-mineiro deve ser monitorado e manejado de acordo com o nível de infestação presente na lavoura. Caso não seja controlado, pode causar grandes prejuízos ao produtor, porque provoca desfolha e reduz a área fotossintética da planta, comprometendo o seu desenvolvimento”, explica Guedes.

Controle do bicho-mineiro começa pelo monitoramento da lavoura

O desenvolvimento da praga é favorecido por condições de clima seco e temperaturas elevadas. Por esse motivo, regiões como o Cerrado costumam registrar maior pressão do inseto, já que o ciclo de desenvolvimento ocorre de forma mais rápida.

No Sul de Minas, a ocorrência de veranicos nos últimos anos também aumentou a atenção dos técnicos, especialmente em áreas mais quentes e de menor altitude, como a região do Lago de Furnas. Nesses locais, o acompanhamento frequente das lavouras torna-se ainda mais importante para identificar o início da infestação e definir a melhor estratégia de manejo.

Manejo integrado contribui para o controle da praga

O bicho-mineiro passa pelas fases de ovo, larva, ninfa e adulto (mariposa). Para reduzir sua população de forma eficiente, a recomendação é adotar o manejo integrado de pragas, combinando diferentes práticas de controle e preservando o equilíbrio da lavoura.

“Quanto mais equilibrado estiver o ambiente, mais eficiente será o controle da praga. Os inimigos naturais conseguem atuar melhor e ajudam a manter o bicho-mineiro em níveis que não causam prejuízos econômicos”, destaca o engenheiro agrônomo.

Entre os principais aliados naturais estão crisopídeos e vespas sociais, que atuam no controle biológico da praga. Atualmente, a tecnologia também tem contribuído para ampliar essa estratégia, com a distribuição de crisopídeos por meio de drones em áreas de cafeicultura.

Uso racional de defensivos amplia a eficiência do controle

O controle químico também faz parte do manejo integrado, mas deve ser realizado de forma criteriosa para evitar o desequilíbrio da lavoura e a eliminação dos inimigos naturais.

Guedes orienta que o uso contínuo de inseticidas piretroides deve ser evitado, sendo recomendado no máximo duas aplicações por ciclo e com intervalos maiores entre elas. Já as diamidas apresentam maior eficiência no controle das larvas, especialmente durante o período chuvoso e de temperaturas elevadas, devido ao bom efeito residual.

Outra alternativa disponível é o plenazolim, molécula de amplo espectro que atua sobre ovos, larvas e adultos, além de auxiliar no controle de alguns ácaros prejudiciais ao cafeeiro. O produto também contribui para a rotação de princípios ativos, estratégia importante para reduzir o risco de resistência da praga.

Controle cultural e operações de inverno

Além dos controles biológico e químico, o manejo cultural também é recomendado, principalmente após a colheita e durante o inverno. Em áreas com grande quantidade de folhas caídas, o enleiramento seguido da trituração ajuda a eliminar pupas presentes no solo e interromper o ciclo da praga.

Nesse período, o monitoramento pode ser associado às pulverizações de inverno, especialmente em lavouras esqueletadas, sem carga ou em pós-colheita. O uso de drones e pulverizadores atomizadores também contribui para aumentar a eficiência das aplicações e ampliar a cobertura das áreas tratadas.

Publicado por: Hub do Café