Fábio Zution Dalle Prane teve lote de conilon selecionado para mostra de negócios que valoriza qualidade e produção em grande escala
O cafeicultor Fábio Zution Dalle Prane, de Itarana, não precisou preparar um lote exclusivo para conquistar reconhecimento pela qualidade do seu café. O produtor teve um conilon da produção habitual selecionado para a 1ª Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume, iniciativa que reúne cafés de qualidade superior produzidos em escala comercial no Espírito Santo. O evento foi realizado no dia 17 de setembro de 2026 na Fazenda Experimental do Incaper, em Linhares.
Segundo Fábio, seu café ficou entre os dez melhores avaliados na seleção. O resultado surpreendeu o produtor, que sequer conhecia a iniciativa quando recebeu o pedido de amostras.
“Eu deixei o pessoal bem à vontade. Falei para escolher qualquer café que eu tinha e tirar a amostra para ver o que achavam. Até então, eu nem sabia que isso existia”, contou.
A experiência chama atenção porque Fábio não adotou um processamento específico para participar da avaliação. O café segue os padrões que ele já utiliza na propriedade para produzir conilon dos tipos 7 e 7/8.
Diferenciais
Um dos diferenciais apontados pelo agricultor é o uso de secador a gás, tecnologia que, segundo ele, contribui para a qualidade dos grãos.
“Esse café entrou na qualidade especial. Mas não foi preparado para isso”, afirmou.
A Fine Cup reúne lotes de pelo menos 420 sacas de 60 quilos, quantidade que permite atender compradores interessados em volumes comerciais. A proposta é mostrar que o conilon capixaba pode oferecer qualidade diferenciada sem perder a capacidade de abastecer mercados de grande escala.
Da pecuária para o café
A trajetória de Fábio também revela uma mudança na atividade da família. Antes de investir na cafeicultura, ele trabalhava com pecuária de corte. Entretanto, os 28 hectares da propriedade limitaram as possibilidades de expansão da criação de gado.
Foi no café que encontrou uma alternativa para manter a atividade rural e ampliar a produção. A transição contou com o apoio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Ao longo de aproximadamente quatro anos, Fábio e seu pai receberam acompanhamento técnico em duas propriedades familiares. O trabalho incluiu orientações sobre nutrição das plantas, desenvolvimento dos grãos e manejo da lavoura.
“Desde a florada, para garantir uma boa formação do café, tudo começa com uma boa nutrição. E, quando a gente fala em nutrição, lembra da ATeG, que vem dando essa assistência ao produtor”, explicou.
O produtor atribui parte do resultado ao acompanhamento do técnico Marcelo e gostaria de continuar recebendo a assistência. No entanto, a família já concluiu os ciclos de atendimento previstos pelo programa.
Apesar do sucesso com o café, Fábio não esconde a ligação com a antiga atividade.
“A pecuária está no sangue. A gente gosta demais. Só que, como nossa propriedade é pequena, não dá para viver do gado de corte. Hoje é só café”, contou.
A seleção para a Fine Cup representa uma nova oportunidade de valorização da produção familiar. Também mostra que o investimento em manejo, tecnologia e assistência técnica pode elevar a qualidade do conilon comercial.
Publicado por: Portal Conexão Safra





