Clima em maio: chuvas mal distribuídas e calor acima da média

Análise da Cooxupé aponta redução da umidade no solo, aumento do déficit hídrico e atenção ao manejo das lavouras na colheita

O mês de maio de 2026 apresentou chuvas mal distribuídas e irregulares, redução do armazenamento de água no solo e déficit hídrico, além de temperaturas acima da média histórica na área monitorada pela Cooxupé. De acordo com o Departamento de Geoprocessamento da cooperativa, os volumes registrados em alguns municípios não foram suficientes para recompor adequadamente a disponibilidade hídrica nas lavouras.

Diversos municípios registraram precipitações abaixo da média histórica, enquanto outros não tiveram registro de chuva (Coromandel, no Cerrado Mineiro e Manhuaçu, nas Matas de Minas).

Por outro lado, Alfenas e São Pedro da União, no Sul de Minas, e Rio Paranaíba e Serra do Salitre, no Cerrado Mineiro, registraram volume acumulado de chuva acima da média histórica para o período. Serra do Salitre registrou o maior volume de chuva, com 85 mm, seguido por Carmo do Rio Claro (49,8 mm) no Sul de Minas.

As precipitações foram localizadas e concentradas com volume acentuado no 2º decêndio do mês. Mesmo com as precipitações registradas durante o mês de maio, apenas em Serra do Salitre houve registro de excedente hídrico na área monitorada.

Chuvas mal distribuídas e armazenamento de água no solo

Apesar dos registros de chuvas em alguns municípios, os volumes não foram suficientes para sustentar adequadamente o armazenamento de água no solo. Em todas as cidades monitoradas, verificou-se redução da disponibilidade hídrica, com o armazenamento variando entre 21,6 e 83,7% da capacidade máxima do solo. As chuvas abaixo da média, somadas à redução do armazenamento de água do solo, refletiram diretamente no aumento do déficit hídrico registrado.

O déficit hídrico é um indicador importante do estresse a que as plantas foram submetidas, resultando em maior gasto energético para manutenção fisiológica. Parte dessa energia poderia ser utilizada no desenvolvimento vegetativo, crescimento de ramos e diferenciação das gemas produtivas da próxima safra.

Todos os municípios monitorados tiveram déficit hídrico, com destaque para Coromandel, que registrou 50,6 mm. O menor valor registrado foi em Serra do Salitre, com 8,9 mm de déficit. Além disso, os maiores apontamentos de déficit hídrico foram concentrados no 1º e 2º decêndios.

Temperaturas nas regiões de atuação

As temperaturas permaneceram acima da média histórica em todos os municípios monitorados. Isso com médias mensais variando entre 18,8 °C (Cabo Verde) e 22,9 °C (Monte Carmelo). A maior temperatura registrada em maio foi em São José do Rio Pardo, com 30,9 °C, sendo o menor valor de máxima registrado de 27,4 °C em Nova Resende. Já em Cabo Verde, o termômetro marcou a menor temperatura do mês, com 5,1 °C, variando até 15,3 °C em Rio Paranaíba, maior temperatura mínima registrada.

Um ponto de atenção é a grande diferença entre as temperaturas máximas e as mínimas, gerando amplitude térmica. O fator pode alterar o metabolismo das plantas, causando consumo elevado de energia, redução de carboidratos ou interferência no processo de divisão e diferenciação celular.

O estresse térmico induz a produção de etileno, hormônio relacionado à maturação que, acumulado no pecíolo foliar (ligação entre o ramo e a lâmina foliar), pode favorecer a desfolha da lavoura após impactos físicos, como chuva e vento. Principalmente quando somado às folhas com danos de pragas e doenças.

Cuidados com a lavoura

No fim do mês de maio, as lavouras estavam em fase de maturação dos frutos. Inclusive em todos os municípios com registro de ETP próximo ou acima de 700 mm a partir de outubro de 2025, que é um indicador da maturação fisiológica dos frutos.

Paralelamente à fase reprodutiva, continua ocorrendo o crescimento vegetativo das lavouras, em menor taxa de crescimento devido à redução da temperatura e à redução da disponibilidade de água, demandando equilíbrio nutricional e energia para manutenção dos processos fisiológicos da planta. Diante disso, recomendamos atenção especial à condição fitossanitária das lavouras, principalmente em áreas de pós-colheita.

Para a safra 2026, o cenário ainda precisa de atenção, especialmente quanto à qualidade do café colhido. A maior umidade no inverno pode dificultar a secagem e favorecer fermentações indesejáveis no terreiro e na planta. Especialmente quando há atraso na colheita, no transporte ou no processamento do café.

Por isso, será fundamental reforçar o planejamento da colheita, a separação dos lotes e o manejo adequado na fase de secagem dos grãos. Esse ambiente úmido pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas, exigindo maior atenção ao monitoramento das lavouras e ao posicionamento correto dos manejos, principalmente no tratamento de pós-colheita.

Monitoramento em Conceição da Aparecida

A partir de maio, Conceição da Aparecida passou a integrar a rede de monitoramento meteorológico da Cooxupé. A iniciativa expande a cobertura das informações climáticas disponibilizadas aos cooperados e fortalece o acompanhamento das condições que influenciam diretamente o desenvolvimento das lavouras de café na região.

Com o monitoramento de indicadores como temperatura, umidade relativa do ar, precipitação e balanço hídrico, os produtores passam a contar com dados ainda mais precisos para apoiar decisões relacionadas ao manejo da lavoura, ao controle de pragas e doenças, à irrigação e ao planejamento da colheita.

A inclusão do município na rede de monitoramento enfatiza a importância de Conceição da Aparecida para a cafeicultura regional e amplia a disponibilidade de informações técnicas que contribuem para ganhos de eficiência, produtividade e qualidade do café.

Na página da Cooxupé estão disponíveis para consulta todos os dados coletados pelas estações meteorológicas da Cooxupé.

O monitoramento das condições climáticas é fundamental para o planejamento da safra. No Hub do Café, você encontra análises mensais da Cooxupé e conteúdos que ajudam na tomada de decisão no campo.

Distribuição de chuvas em maio de 2026

  • Sul de Minas
Mapa de uma região intitulada “Maio de 2026”, mostrando os níveis de precipitação em milímetros. A maioria das áreas está em vermelho (0-30 mm), algumas estão em laranja (31-60 mm) e poucas estão em amarelo (61-90 mm).
  • Cerrado Mineiro
Um mapa de uma região intitulado “Maio de 2026” mostra os níveis de precipitação em milímetros. A maior parte da área está em vermelho (0-30 mm), com algumas manchas em laranja (30-60 mm) e amarelo (60-94 mm) no sudeste.

Distribuição de temperatura em maio de 2026

  • Sul de Minas
Mapa de uma região com os limites municipais indicados. Diferentes tons de verde e amarelo representam as temperaturas médias de maio de 2026, que variam de 17,3 °C a 22,1 °C, com uma legenda de temperaturas e uma rosa dos ventos.
  • Cerrado Mineiro
Um mapa codificado por cores mostra as faixas de temperatura (19,6–22,1 °C) para regiões de um estado do Brasil em maio de 2026. Os tons de amarelo indicam temperaturas mais baixas; os tons de laranja indicam temperaturas mais altas.

Distribuição de déficit hídrico em maio de 2026

  • Sul de Minas
Mapa da distribuição das chuvas em uma região no mês de maio de 2026, com vários tons de azul, verde, amarelo e laranja indicando diferentes níveis de precipitação (em mm) em vários municípios.
  • Cerrado Mineiro
Mapa de uma região que mostra o déficit hídrico previsto para maio de 2026, com cores que variam do azul (baixo déficit) ao vermelho (alto déficit). Uma legenda indica os valores do déficit em milímetros, e cidades específicas estão identificadas.

Distribuição de armazenamento de água no solo em maio de 2026

  • Sul de Minas
Mapa de precipitação em uma região do Brasil para maio de 2026, mostrando vários municípios com áreas codificadas por cores que representam diferentes níveis de precipitação (17,5 a 95,2 mm), além de uma legenda e uma rosa dos ventos para orientação.
  • Cerrado Mineiro
Um mapa de uma região que mostra a previsão de precipitação para maio de 2026. A precipitação é indicada por cores, variando de 13,6 mm (laranja/amarelo) no noroeste a 94,7 mm (azul escuro) no sudeste. As cidades e os rios também estão identificados.

Publicado por: Hub do Café