Adversário na Copa, Japão é um dos principais compradores do café brasileiro

Em 2025, o produto respondeu por 18,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao país asiático e movimentou cerca de US$ 1 bilhão

Seleção Brasileira enfrenta o Japão pelo mata-mata da Copa do Mundo, nesta segunda-feira (29), às 14h, no Estádio de Houston (EUA). Apesar da disputa dentro de campo, os dois países atuam como parceiros em outra arena: o agronegócio. A relação comercial entre Brasil e Japão tem como destaque sobretudo o café brasileiro.

Em 2025, as transações entre os países somaram US$ 11,5 bilhões, segundo dados do Comex Stat. O valor representa um crescimento de 4,8% em relação a 2024. Entre os destinos das exportações brasileiras gerais, o Japão ocupou a 12ª posição em 2025. Já entre os principais fornecedores do Brasil, ficou em 10º lugar e respondeu por 2,16% de todas as importações brasileiras.

O café não torrado lidera as exportações brasileiras para o Japão. Em 2025, o produto respondeu por 18,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao país asiático e movimentou cerca de US$ 1 bilhão. Na sequência aparecem as carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, que representaram 15,3% das exportações e geraram receita de US$ 840 milhões.

A parceria entre os dois países não é recente. As relações diplomáticas começaram no fim do século XIX e se fortaleceram ao longo das décadas por meio da imigração japonesa, dos investimentos em setores estratégicos e da cooperação para o desenvolvimento agrícola e industrial brasileiro.

Para o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, a imigração japonesa foi decisiva para consolidar essa relação comercial.

“Quando os primeiros japoneses vieram para cá, em 1908, eles vieram trabalhar justamente no café. Então também foi ali o contato com a bebida. Não dá para dissociar uma coisa da outra”, explica.

Após a Segunda Guerra Mundial, a relação ganhou novo impulso com a retomada das relações diplomáticas, em 1952, e a assinatura de um acordo comercial. Nas décadas seguintes, os dois países ampliaram os investimentos e desenvolveram projetos conjuntos nas áreas de agricultura, mineração e indústria. Já nos anos 1960 e 1970, a parceria econômica se consolidou com novos acordos de cooperação e a expansão dos negócios entre as duas nações.

Segundo Matos, o perfil do consumidor japonês explica por que o café brasileiro ocupa esse espaço.

“O Japão é um mercado de qualidade. Quando a gente olha a categoria de cafés diferenciados, com selos de sustentabilidade e qualidade superior, o país continua entre os principais compradores. É um mercado que se reinventa”.

O futuro de uma parceria centenária

O executivo afirma que o Japão sempre figurou entre os maiores importadores de cafés do Brasil. “Podemos separar dois momentos. Em 2025, de janeiro a dezembro, ficou na quarta posição. Teve um desempenho muito interessante, cresceu quase 20% nas compras”. Ele conta que o resultado passou das 2,6 milhões de sacas.

Já em 2026, os números de janeiro a maio mostram que o Japão caiu para a quinta posição. “Teve uma queda importante de 32,6%”, apontou. Segundo o diretor-geral do Cecafé, o período de entressafra explica esse cenário. “Também viemos de um momento em que o café brasileiro não estava tão competitivo. E a safra de 2026, prevista para ser recorde, com 66 milhões de sacas e 71 milhões, segundo a Conab e Usda, também está atrasada”, afirma.

Ele acrescenta que o setor ainda não viu a nova safra aparecer de forma pujante nas exportações. “A colheita começou a ganhar tração, mas as chuvas atrapalharam em várias regiões produtoras”, conta. “A gente imagina que, a partir de julho, esse número seja mais expressivo, comece a ficar mais evidente nas exportações e recupere as vendas para o Japão”.

Apesar da queda nas compras japonesas de café nos primeiros meses de 2026, Matos afirma que o Cecafé mantém uma perspectiva positiva para a relação comercial.

“Existe uma relação de confiança e uma relação comercial construída ao longo de muitas décadas. O Brasil sendo competitivo, tendo disponibilidade de café e qualidade, essa relação tende a continuar”.

Segundo ele, existem bons fundamentos para os próximos anos. “Claro que geopolítica, logística e clima entram na lista do que pode afetar esse cenário positivo”, conclui.

Publicado por: Por Mariana Letizio — São Paulo / Globo Rural