Crises da Cafeicultura

1906 – Primeira grande crise dos preços

Em 1898 o presidente Campos Salles, na tentativa de conter a inflação, desvalorizou a moeda brasileira, a medida prejudicou muito os exportadores. Por outro lado, o plano econômico deixado por Ruy Barbosa foi eufórico, mas foi desarticulado pela forte queda na bolsa de valores.
Em 1906 a safra mundial era de 20 milhões de sacas de café, enquanto o consumo girava em torno de 16 milhões. Nesse cenário o industrial paulista Alexandre Siciliano elaborou um plano que previa a valorização do preço do café. O plano foi debatido pelos presidentes das maiores províncias produtoras: São Paulo (Jorge Tibiriçá), Rio de Janeiro (Nilo Peçanha) e Minas gerais (Francisco Sales).
O plano previa estabelecer preço mínimo para a saca e empréstimos de 15 milhões para subsidiar as cotações. O presidente Rodrigues Alves, embora cafeicultor em São Paulo, opusera-se a ele por considerá-lo inflacionário. Nas eleições que aconteceram um mês depois o candidato apoiado por Alves, Bernardino de Campos, perdeu para o mineiro Afonso Penna. Penna desenvolveu políticas de apoio aos cafeicultores. O economista Delfim Netto concluiu que a defesa do café foi positiva para o país, mas deixou uma cicatriz negativa: “O precedente de uma intervenção que, posteriormente, seria reclamada com freqüência”.

A grande crise: Crash na bolsa de Nova York

70% do café consumido em todo o mundo em 1922 era produzido em territórios brasileiros. Já em 1925 o preço externo do café alcançou o nível histórico de 5,5 libras esterlinas. No mercado interno atingiu 215.000 réis. O café correspondia a 60,5% das vendas externas do país. Diante desses resultados mais pessoas começaram a investir e cultivar o produto. Produtores eufóricos plantavam mais e mais, enquanto o consumo mundial aumentava lentamente. Entre 1921 e 1928 a produção duplicou.
Em Minas Gerais, a produção que até então se concentrava na Zona da Mata começa a avançar para o Sul e Centro do estado, que se tornou o segundo maior produtor do país em 1926 com 2,3 milhões de sacas. São Paulo continuava como maior produtor. A expectativa de colheita no Brasil em 1927 e 1928 era de 28 milhões de sacas, número alarmante e que já indicava uma provável crise, pois correspondia ao dobro do que era exportado.
Em outubro de 1929 os bancos já apresentavam sinais de que as coisas não iam bem, pagamentos e alguns saques não puderam ser feitos sob a alegação de que faltavam recursos. O preço da saca de café despencou de 240 mil réis para 30 mil réis, ainda assim era difícil encontrar compradores. No dia 24 de outubro as manchetes do principais jornais do mundo anunciavam: “Crash na bolsa de Nova York! Bilhões em dólares perdidos!”. O colapso foi geral, investidores de diversos setores faliram, há notícias de que muitos chegaram até mesmo a tirarem as próprias vidas.
Em 1930, no Brasil, Getúlio Vargas assume a presidência após um golpe militar que depôs Washington Luiz. Diante de armazéns lotados de café e a economia em crise, adotou uma medida radical: mandou queimar o fruto.
Em 1931, foram queimados 2 milhões de sacas; em 1932, 9 milhões; em 1933, 13 milhões, em 1935, foram 1,7 milhões. A queima continuou até o fim da década, no total foram 82 milhões de sacas de café , ou cerca de 4.920.000.000 (4 bilhões e novecentos e vinte milhões) de quilos de café que viraram pó, só que de cinzas.
A medida, apesar de polêmica, ajudou que o produto recuperasse aos poucos seu valor de mercado e a economia fosse estabilizada.

*Texto baseado em informações de:

MOREIRA, Antônio Carlos. História do Café no Brasil . São Paulo: Panorama Rural; Magma Editora Cultural, 2007.

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