Mercado de Café – Comentário Semanal – de 23 a 27 de maio de 2016
* Por Rodrigo Costa

O mercado financeiro agora resolveu que o ajuste é positivo, pois ajudará os bancos e por sinalizar uma melhor situação econômica da maior economia do planeta. Nem mesmo a China ajustando o Yuan para o menor patamar desde 2011 atrapalhou os ativos de risco a apreciarem na semana.
O Stoxx 600 Index, índice com papéis de vários países da Europa, teve o maior ganho semanal desde fevereiro e o S&P500 fechou no melhor patamar desde Abril – distante apenas 1.69% de sua alta-histórica. Vale notar que a semana foi de baixo volume negociado dado o feriado bancário em grande parte da Europa na próxima segunda-feira e nos Estados Unidos, aonde se celebrará o Memorial Day – homenagem aos militares que morreram em combates.
O café em Nova Iorque desmoronou no início da semana e nas sessões seguintes negociou em intervalos mais curtos, gradativamente cedendo para, na sexta-feira, encerrar levemente acima dos US$ 120.00 centavos por libra-peso. Em Londres a queda foi menor e mais ordenada com volume, em geral, mais baixo.
A liquidação da posição comprada dos fundos foi mais uma vez o fator da queda, devolvendo os ganhos recentes depois de ter atraído vendas de origens na última pernada de alta. O aumento do número de contratos em aberto próximo dos US$ 120 centavos – como visto no começo do mês de maio – sugere que o intervalo de negociação entre US$ 115 a US$ 135 centavos por libra-peso deve se manter – salvo alguma influência macroeconômica.
Surpreende o comportamento dos índices de commodities recente, levando-se em consideração que o índice do dólar (DXY) volta a flertar o nível de 96.00 pontos. Liderado pelos ganhos do petróleo, cujo preço do barril rompeu os US$ 50.00, o CRB firmou – por ora perdendo a correlação negativa notada até alguns meses atrás.
No mercado físico de café o fluxo diminuiu com a queda dos terminais, muito embora pontualmente ofertas FOB do robusta baratearam. As chuvas regressando naquele país acalmam as preocupações com a seca e nos próximos meses teremos um debate ferrenho entre os que dizem que a quebra da produção por lá é irreversível e os que defendem uma produção de 16/17 similar em função da irrigação ocorrida durante as escassas precipitações até meados de maio.
No Brasil a CONAB revisou sua estimativa de produção de 16/17 para 49.67 milhões de sacas, sendo 40.27 milhões de arábica e 9.4 milhões de conilon. O noticiário internacional notou que o número mantém o padrão em ficar 10% abaixo das estatísticas dos participantes do mercado (analistas, tradings e importadores).
Com o avanço da colheita brasileira e um Real refletindo um receio da continuação de delações que contaminam um número cada vez maior de políticos do nosso congresso, a recuperação de preços de Nova Iorque vai ficar por conta de uma recompra dos fundos ou eventualmente algum problema climático.
O inverno que se aproxima no Brasil e potencialmente um retorno das chuvas (não previstos por ora) podem animar os agentes a comprar os futuros. Fora isto, continuaremos sem novidades e os operadores vão seguir a análise técnica para vender caso Julho rompa US$ 120.60 ou se posicionar com novas compras com um fechamento acima de US$ 123.75 centavos.
Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,
* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda





