Os secadores de café se tornaram grandes aliados para os produtores, afinal, conseguir fazer um café de qualidade no método tradicional de seca em terreiro de chão ou até mesmo de cimento não é coisa simples. Porém, pelo seu alto custo de implantação essa tecnologia ficou um pouco restrita aos pequenos e médios produtores, afinal, nos dias atuais, um secador rotativo com capacidade de 150 medidas gira entre R$40 e R$ 60 mil reais.
Logo, uma nova tecnologia batizada de “secador de caixa” tem agradado e muito os produtores de café da região, principalmente por seu baixo custo de montagem e por executar praticamente as mesmas ações de um secador rotativo. O que chama a atenção também é seu baixo consumo de energia elétrica, afinal, trabalha com apenas 03 motores, somando um consumo total de 3 cavalos de força enquanto que um rotativo utiliza em média 14 cavalos.

Sua simplicidade, em alguns momentos, até deixa dúvida quanto à eficácia do secador, afinal, sua montagem não chega nem a 40 % do custo total de um rotativo, girando em torno de R$ 20 mil reais e sua semelhança no processo de secagem com o rotativo é grande, afinal, em ambos os modelos o café pode ser inserido assim que é trazido da lavoura ainda maduro, o tempo de seca de acordo com as particularidades do grão é o mesmo, e uma grande vantagem é não ser preciso o acompanhamento do produtor durante o processo de seca.

O secador de caixa traz o queimador de palha com painel digital, este permite que o produtor coloque a palha pela manhã e o mesmo mantenha o abastecimento da palha em média por 12 horas, mantendo a temperatura controlada garantindo assim uma seca uniforme dos grãos enquanto o produtor pode estar cuidando de sua colheita sem se preocupar.
O café ao chegar da lavoura, é depositado em caixas que ficam localizadas de cada lado da fornalha, como mostra a foto abaixo:

Cada caixa tem capacidade para até 250 medidas e o processo de seca acontece em uma de cada vez, o que já é mais uma vantagem quando comparado com o rotativo que em média na região recebe 150 volumes. O ventilador que aparece na foto é o responsável por lançar em cada caixa o ar quente que vem realizando a secagem de baixo para cima.

Essa descoberta deu um novo ânimo para os produtores da região, afinal, na seca, apesar de ser o último estágio na colheita do grão, era onde mais se perdia valor por saca, pois, produtores com o secador sempre puderam garantir os melhores preços do mercado por conseguir secar o café sem fermentação e no tempo correto. E por conseguir secar o café com um custo bem menor devido ao consumo reduzido de energia, simplicidade dos equipamentos e não ser preciso mão de obra para opera-lo, muitos produtores que já possuem secadores rotativos tem aderido a essa tecnologia e em alguns casos, nem precisando utilizar seus antigos secadores.
Segundo informações do setor de vendas da empresa Metalpon – Metalurgica Pontões, situada em um distrito da cidade de São João do Manhuaçu – MG e uma das pioneiras na industrialização dos secadores de caixa na região, a busca pelo produto para a safra 2015/2016 cresceu 300 %, onde hoje a empresa opera com a entrega de 15 secadores por semana e entende que com a proximidade da safra em meados de maio/2016, essa demanda deve aumentar ainda mais.
De acordo com a área comercia da Abdel Comércio de Café, empresa que trabalha com compra e venda do grão na cidade de Divino – MG, o surgimento de novas tecnologias como o secador de caixa é um grande ganho para a região, afinal, com o aumento da qualidade da safra o benefício acaba alcançando todos os setores da economia.
Por Gustavo Costa de Oliveira – CRA-MG 01-055233/D – Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade do Estado de Minas Gerais, Pós graduado em Engenharia de Produção pela Universidade Cândido Mendes – RJ

