Lesão por calor em ramos de cafeeiros é novidade

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Apesar da gama de conhecimentos adquirida, seja através de trabalhos de pesquisa ou na prática das lavouras de café, a Equipe Técnica, que lida na cafeicultura, volta e meia se depara com alguma novidade no campo.

Este é o caso da ocorrência de um sintoma novo, representado pela seca de ramos laterais, observado em cafeeiros arábica, nas regiões de Pirapora e Urucuia, em Minas Gerais, em condições de baixa altitude, na faixa de 400-500 m, e temperatura média anual na faixa de 24 – 24,5º C.

Os ramos plagiotrópicos, especialmente das plantas mais novas, embora ocorra também, mais raramente, em cafeeiros adultos, aparecem com a parte terminal seca, as folhas, mesmo mortas, permanecem agarradas ao ramo. Isso ocorre na ausência de qualquer praga ou doença, ou, mesmo, sem ter sido feita qualquer aplicação de defensivo ou adubo, que pudessem estar causando a queima de ramos.

Verificando mais de perto e no início do problema, pode-se observar pequena lesão começando junto ao nó do ramo, logo acima da inserção das folhas, ali sobre uma camada cerosa, como se fosse uma cutícula do ramo. Essa lesão inicial é mais presente na região do 3º- 4º nó, contados da ponta do ramo, onde, também, começam a aparecer as primeiras folhas secas. Em seguida, a parte terminal do ramo morre, porem é comum que, no ramo lesionado, a parte superior se quebre antes de secar.

Para elucidar o que tem causado a morte de ramos e concluir que se trata de uma lesão por calor foram pensadas e combinadas as condições da ocorrência, conforme em seguidaO problema ocorre:

– Nas regiões de baixa altitude, portanto, em zonas quentes.
– Aparece no período de verão, quando a insolação e a temperatura são mais altas.
– Aparece apenas no lado da planta voltada para o poente.
– Aparece nos ramos na parte mais alta das plantas.
– A lesão acontece principalmente no 3º-4º nó do ramo.
– Acontece em plantas mais novas e mais expostas ao sol, especialmente nos 2 primeiros anos de campo.
– Ocorre somente em cafeeiros arábica, sendo que nos de conillon, presentes na mesma área, o problema não foi identificado.

Outra coisa. Por que seria que aquele tipo de cutícula, junto ao nó, se constitui na área que primeiro começa a escurecer. E por que na porção do ramo junto ao 3º-4º nó. Qual seria a causa disso. A resposta pode ser esta. A região acima do nó, onde existe uma membrana cerosa, pode estar recebendo e acumulando água, seja da chuva, do orvalho ou da irrigação. Alí pode estar combinando a ação do sol, com o efeito lente da água provocando temperaturas mais altas, associadas, ainda, à inclinação favorável do ramo em relação àquela dos raios solares que incidem no período mais quente do dia.

Felizmente, o problema da seca de ramos, devido a lesões por calor, não ocorre em todos eles e nem em todas as plantas. Assim, com pouco tempo, a planta se recupera e se forma normalmente, com prejuízo pequeno.

Os Técnicos que assistem aos produtores, nas regiões mais quentes, devem ficar atentos ao problema da morte de ramos, para seu diagnóstico correto.

Fundação Procafé
J. B. Matiello, engenheiro agrônomo Mapa/Fundação Procafé, e E. C. Aguiar, V. Josino e R. Araujo, técnicos agropecuários em São Thome

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