
Usando a cultivar IAC Obatã Vermelho, Sabino venceu a competição nacional, em janeiro de 2018, no Rio de Janeiro, onde foi disputada a vaga para o mundial da categoria. Após o campeonato nacional, foi realizada uma degustação de café para selecionar a cultivar que será levada por Sabino ao mundial. A IAC Obatã Vermelho foi escolhida na presença de grandes profissionais do setor, durante ocupping, na cafeteria IL Barista, na Capital paulista, onde o barista trabalha desde 2015. “A gente diz que ele (o Obatã) é um monstro”, conta o barista, sobre como eles resumem as qualidades sensoriais da cultivar.
O campeão, que superou 23 concorrentes, foi ao Instituto acompanhado de Luiz Roberto Saldanha, proprietário da fazenda Califórnia, situada em Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná. Além da Obatã, Saldanha cultiva a Mundo Novo e a Catuaí Amarelo, todas desenvolvidas pelo IAC. A produção de cafés especiais é destinada à exportação. O barista e o cafeicultor serão recebidos por Júlio César Mistro, pesquisador e diretor do Centro de Café do IAC, Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador e vice-diretor da Unidade, e Luiz Carlos Fazuoli, pesquisador aposentado do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“É uma grandeza receber essa notícia de que a cultivar Obatã Vermelho, desenvolvida pelo IAC, estará no campeonato mundial de barista. O seu melhoramento foi iniciado na década de 60 e finalizado no início dos anos 2000, isto é, aproximadamente 40 anos de trabalhos no campo e laboratório, visando principalmente a resistência à ferrugem-da-folha”, diz Mistro.
Ele relata que no campeonato, enquanto preparam as bebidas, os participantes vão comentando sobre as qualidades agronômicas das cultivares e o manejo adotado nos cultivos, de modo a explicar que aquele processo resulta no café que será provado pelo júri. “Essas informações mostram o quanto o participante conhece sobre o café, a região produtora, o processo adotado; isso aumenta a pontuação”, diz o barista.
Sabino lembra que quando procurou por Saldanha para conversar, o cafeicultor disse: “Vou te mandar o melhor café que eu tenho aqui”, referindo-se ao Obatã. Na fazenda Califórnia também são plantadas as duas cultivares Catuaí Amarelo do IAC, que Sabino escolheu para concorrer no Campeonato Brasileiro de Barista de 2017, quando conquistou a terceira colocação. “A Obatã já vinha ganhando alguns campeonatos regionais, mas atingir essa magnitude em nível nacional e, possivelmente, mundial é uma enorme satisfação para o Instituto Agronômico, berço das pesquisas de café no mundo”, afirma Mistro.
Sabino trabalhava como barman na cafeteria Octavio Café, quando galgou o posto de barista, em 2009. Naquele momento, o primeiro passo foi começar a tomar café, o que ele não fazia até então. De lá para cá, vem crescendo profissionalmente graças à rotina de treinamento, estudo e pesquisa. Ele já esteve na competição mundial em 2014, na Austrália, e em 2015, nos Estados Unidos.
Na 17ª edição do Campeonato nacional, os 24 participantes prepararam, em cada etapa, quatro espressos, quatro bebidas com leite vaporizado e quatro bebidas originais de assinatura. Todos são avaliados por juízes sensoriais e técnicos. Os critérios avaliados são: sabor, qualidade e persistência da crema, no caso do espresso; harmonia entre café e leite, criatividade, avaliada na bebida de assinatura, e manipulação profissional dos ingredientes, do moinho e da máquina de espresso.
“O Obatã é sensacional, mas é preciso conhecer sua dinâmica para garantir que tenha as condições para expressar seu potencial”

O cafeicultor já conquistou vários concursos do setor com as cultivares IAC. Para ele, conhecer o material é fundamental para obter o melhor resultado. “Sua maturação mais lenta aliada a um ambiente que lhe dê condições de expressar todo o seu potencial agronômico e sensorial culminaram nessa conquista nacional”, avalia Mistro.
Segundo Saldanha, a Obatã tem maturação tardia, exigindo dois meses a mais no campo, comparando-o com outras cultivares. “O Obatã fica mediano se não oferecem para ele o que a planta precisa”, diz. “Nós oferecemos todas as condições para alcançar o melhor dele; são 14 anos de dedicação para chegar a esse patamar de xícara”, resume. Saldanha desenvolveu um processo de inoculação com levedura de champanhe destinado a aumentar a complexidade da bebida. A criação foi denominada Honey Moon, em homenagem à esposa.
“O campeonato é uma oportunidade para mostrar ao mundo a qualidade do café brasileiro. A divulgação e a transferência das tecnologias paulistas constituem uma recomendação do governador Geraldo Alckmin”, diz o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim.
Competição
O Campeonato Brasileiro de Baristas é uma ação do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation” e é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE). No setor, os baristas são considerados fundamentais para a valorização do café junto aos consumidores finais e também para criar uma cultura cada vez mais forte relacionada aos cafés especiais no Brasil.
O projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation” é desenvolvido em parceria por BSCA e Apex-Brasil e tem como foco a promoção comercial dos cafés especiais brasileiros no mercado externo. O objetivo é reforçar a imagem dos produtos nacionais no mercado internacional e contribuir para posicionar o Brasil como fornecedor de alta qualidade, fruto da ciência e da tecnologia geradas no País.




