Rodrigo Costa*

Em um mercado que vê crescentes apostas em uma tomada de lucro, os vendidos foram surpreendidos e os três principais índices de ações americanos fizeram novas altas históricas.
O índice do dólar (DXY) caiu mais um pouco na curta semana, acumulando perdas de 5.36% em 2017, a pior performance em dez anos, segundo a Bloomberg.
Neste cenário seria de se imaginar que as commodities estariam apreciando, mas pelo contrário, o CRB afundou se aproximando da mínima do ano que se rompida deve então buscar os níveis de maio de 2016.
O café em Nova Iorque mais uma vez falhou em romper a média-móvel de vinte dias e diante de sucessivas frustradas tentativas em manter ganhos acabou atraindo vendas de especuladores e fundos, encerrando a semana nas mínimas. Londres está mais firme, embora tenha caído US$ 10 por tonelada.
Com o tempo mais seco no Brasil a colheita voltou a pleno vapor em todas as regiões. Na ligeira alta da terça-feira no terminal notou-se alguns negócios de maiores volumes envolvendo cooperativas, mas com a bolsa voltando a cair o fluxo diminuiu.
O mercado internacional não tem urgência em comprar café natural por ora, imaginando que ocorrerá uma pressão de venda entre agora e agosto, com o aumento da disponibilidade.
Os altistas, cada vez mais raros, falam em produtores bem capitalizados com preocupações em entregar os compromissos de vendas a termo em carteira e já que os estoques estão baixos as chances de uma enxurrada de venda é menor.
Outro fator talvez interessante é notar um quadro similar visto no ano passado, quando a safra menor do conilon fez com que a diferença de preços entre as qualidades fosse estreita, dos cafés finos aos baixos, incluindo o conilon. Talvez pela colheita mais adiantada do conilon poderia-se imaginar que o preço desta variedade deveria estar se distanciando do arábica fino, mas não é o caso.
Se a indústria local prover o suporte assim como eventualmente os exportadores que estejam com seus livros muito vendidos, eventualmente os diferenciais não enfraquecerão mais, ainda mais com Nova Iorque buscando o nível de US$ 120.00 centavos por libra-peso.
Entre os importadores a sensação se mantem relativamente tranquila, até porque os diferenciais oferecidos, ou reportados pelos compradores internacionais, estão longe do custo de reposição, ou seja, os vendedores estão oferecendo café a diferenciais relativamente baratos.
As exportações brasileiras de maio também parecem que não serão tão baixas como em Abril, um sinal que seria importante para de alguma forma ajudar a enxugar um pouco o encharcado pipeline.
Com os fundos estando certos em apostar na baixa resta saber quanto mais adicionarão de vendas em suas posições. Historicamente há bastante espaço para continuarem a vender. De acordo com o relatório dos comitentes divulgado na sexta-feira os especuladores venderam 3,100 lotes entre os dias 24 e 30 de maio, período em que o mercado encerrou com alta de US$ 1.85 centavos por libra peso.
A recuperação do Real, o enfraquecimento do dólar americano frente a outras moedas e a firmeza dos mercados acionários, se mantidas, devem acabar ajudando de alguma forma as commodities. O problema é que se demorar muito as perdas para o café podem ser dolorosas, e resta como esperança para mudar o humor negativo algum evento climático.
No próximo dia 9 de junho no fórum do Coffee Dinner, promovido pela CECAFÉ, faremos um debate sobre o quadro global, inclusive o tema da minha palestra será sobre a Oferta e Demanda mundial.
Espero vê-los por lá.
Uma ótima semana e bons negócios a todos,
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda





