A onda de frio que atingiu boa parte das principais áreas cafeeiras do Brasil no início da semana assustou produtores e operadores do mercado. Os danos foram pequenos e pontuais, mas o relato de diversos experientes cafeicultores é que faltou pouco para termos problemas mais sérios. Ouvimos várias vezes a expressão “bateu na trave”.
Com estoques globais muito baixos e um precário equilíbrio entre produção e consumo mundial, o quadro estatístico e os fundamentos do mercado de café apontam para aperto no abastecimento a curto e médio prazo mesmo com condições climáticas ideais nas principais regiões produtoras do mundo. Se acontecerem problemas de porte no Brasil ou em outro grande produtor, a situação poderá ficar fora de controle.
O frio nas regiões produtoras de café do Brasil levou as bolsas de futuro a trabalharem em forte alta. Os contratos de café para entrega em setembro próximo na ICE Futures US em Nova Iorque subiram 1940 pontos em seis pregões consecutivos em alta. Hoje, véspera de fim de semana, com feriado nos EUA na segunda-feira, um movimento de realização de lucros levou as cotações na ICE a fecharem em baixa de 195 pontos.
O frio e a alta nas cotações trouxeram uma maior movimentação ao mercado físico brasileiro esta semana. As ofertas melhoraram e o volume de negócios só não foi grande porque muitos produtores estão com suas atenções voltadas para a colheita e preparo da nova safra, não mostrando interesse maior em comercializar seus lotes nas bases oferecidas pelos compradores.
Com fundamentos sólidos, o que poderá dificultar os negócios do café nos próximos meses é a crise econômica em muitos mercados consumidores do hemisfério norte. Os problemas se avolumam na Europa, nos EUA e no Japão, podendo vir a afetar o consumo de café.
Até o dia 30, os embarques de junho estavam em 1.187.597 sacas de café arábica, 316.268 sacas de café conillon, somando 1.503.865 sacas de café verde, mais 150.978 sacas de solúvel, contra 1.674.891 sacas no mesmo dia de maio. Até o dia 30, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho totalizavam 2.466.732 sacas, contra 2.216.385 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 24, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 01, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo, 1315 pontos ou US$ 17,39 (R$ 27,09) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 24 a R$ 531,50/saca e hoje, dia 01, a R$ 543,36/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 195 pontos.
Fonte: Escritório Carvalhaes




