Projeto avalia cultivo de Coffea canephora em 11 áreas experimentais no Ceará

Equipe visitou áreas para instalação de experimento com café no Cariri

A possibilidade de ampliar a produção de café no Ceará para além das tradicionais regiões serranas é o foco de um projeto apresentado durante o Simpósio Cafés do Ceará, na ExpoCariri 2026. A iniciativa avalia a viabilidade técnica e econômica do cultivo de híbridos de Coffea canephora, resultantes do cruzamento de variedades Conilon e Robusta, em diferentes condições de clima e solo do estado. O trabalho reúne a Embrapa, produtores rurais e o Sistema FAEC/SENAR e prevê a avaliação de 18 a 23 materiais genéticos em 11 áreas experimentais.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, José Roberto Vieira apresentou o projeto, que envolve três unidades descentralizadas da empresa: Embrapa Agroindústria Tropical, Embrapa Café e Embrapa Rondônia. Os pesquisadores avaliarão cultivares provenientes de Rondônia, incluindo robustas amazônicos, e do Espírito Santo, nos municípios de Barbalha, Missão Velha, Brejo Santo, Acaraú, Aquiraz, Trairi, Paracuru, Viçosa do Ceará, Limoeiro do Norte e Russas.

No Cariri, foram selecionadas quatro áreas para os testes: uma no Campo Experimental da Embrapa, em Barbalha, e outras três em propriedades de produtores parceiros. Durante a ExpoCariri, os participantes realizaram visitas técnicas às unidades de experimentação localizadas na região.

Conforme José Roberto Vieira, os híbridos de C. canephora apresentam características de interesse para a pesquisa, como maior tolerância ao estresse hídrico e a temperaturas elevadas, em comparação com o café arábica, além de adaptação a altitudes de zero a 800 metros.

Outro aspecto que será avaliado é o potencial produtivo e econômico desses materiais. As referências apresentadas no projeto apontam produtividades entre 80 e 150 sacas por hectare, com potencial para ultrapassar 200 sacas por hectare.

“A proposta é produzir informações sobre os materiais genéticos e os sistemas de produção que possam orientar os produtores interessados na atividade”, explica José Roberto Vieira. A mecanização, especialmente em áreas planas, é um dos aspectos considerados na avaliação da viabilidade econômica da cultura.

Oportunidades para os produtores

Um dos parceiros da iniciativa é o produtor rural Sérgio Patrício, proprietário do Café Arvoredo. Produtor de café arábica há cerca de 26 anos na Serra de Baturité, ele também trabalha com cafés especiais e vê no projeto uma possibilidade de diversificar a cafeicultura cearense. Para ele, a ampliação do número de áreas experimentais permite comparar o comportamento dos materiais em diferentes condições.

“Quanto mais locais, melhor, porque, se falhar em um, a gente tem um comparativo”, explica. Sérgio conta que, inicialmente, estava prevista apenas uma unidade de teste no Cariri, na área da Embrapa. Com a ampliação da proposta, foram mobilizados outros produtores da região.

O produtor destaca que a cafeicultura tradicional nas serras enfrenta dificuldades relacionadas ao trabalho manual e às condições do terreno. Na Serra de Baturité, segundo ele, o cultivo de arábica ocorre historicamente em áreas sombreadas e de relevo acidentado, nas quais a colheita é feita manualmente. O projeto com Coffea canephora busca avaliar alternativas em terrenos planos, que permitam mecanizar o manejo e a colheita.

Sérgio também chama a atenção para as oportunidades que a atividade pode representar para os pequenos produtores. “Acredito muito mais no pequeno produtor ter êxito nisso do que o sistema empresarial”, avalia. 
 

Publicado por: Verônica Freire (MTb 01125/JP) | Embrapa Agroindústria Tropical