Pesquisa do Incaper utiliza sensores e imagens aéreas para monitorar lavouras, identificar problemas e selecionar variedades mais resistentes à seca e a doenças
Drones equipados com sensores especiais estão ajudando pesquisadores a identificar doenças, pragas e sinais de falta de água nas lavouras de café do Espírito Santo. A tecnologia também permite acompanhar o crescimento das plantas e pode contribuir para estimar a produtividade antes da colheita.
O sistema desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) utiliza imagens aéreas para identificar problemas que nem sempre aparecem a olho nu.
Segundo o pesquisador Renato Taques, que apresentou o trabalho em um vídeo nas redes sociais do instituto, a pesquisa já demonstrou resultados na identificação de doenças do cafeeiro. Agora, a equipe avança no uso da tecnologia para monitorar o desenvolvimento das plantas e apoiar o melhoramento genético.
“Já desenvolvemos alguns estudos em campo que indicaram que é possível identificar doenças do café a partir do imageamento. Agora, estamos avançando no desenvolvimento dessa tecnologia para identificar o crescimento das plantas e apoiar os trabalhos de melhoramento genético.”
Renato Taques, pesquisador do Incaper
O objetivo também é ajudar os pesquisadores a selecionar variedades de café mais adaptadas às diferentes condições de cultivo do Espírito Santo.
Drones de olho na lavoura
Os equipamentos utilizam sensores capazes de captar imagens do espectro visível e do infravermelho. Dessa forma, os pesquisadores conseguem observar características das plantas que o olho humano não consegue identificar diretamente.
Assim, a partir dessas imagens, a equipe calcula índices de vegetação. Esses indicadores ajudam a avaliar o vigor das plantas, acompanhar seu desenvolvimento e localizar possíveis anomalias.
Depois do voo, os pesquisadores processam as imagens. Em seguida, utilizam ferramentas estatísticas para identificar os pontos da lavoura que apresentam características diferentes das demais áreas.
Essas informações ajudam a direcionar as análises de campo e investigar possíveis causas dos problemas, como doenças, pragas ou deficiência hídrica.
Cafés resistentes à seca
Além de identificar problemas nas plantações, a pesquisa busca contribuir para o desenvolvimento de novas variedades de café.
Segundo Taques, o monitoramento por drones complementa as informações que os pesquisadores coletam diretamente no campo. Assim, é possível avaliar o comportamento das plantas e identificar materiais genéticos com maior tolerância à seca e a determinadas doenças.
O pesquisador destaca, no vídeo, que a tecnologia também oferece vantagens para o acompanhamento de grandes áreas de cultivo.
“O imageamento com drone e o sensoriamento remoto são técnicas muito utilizadas quando precisamos monitorar grandes áreas. Nesse caso, são ideais para agricultores de café que precisam de uma ferramenta mais prática para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da lavoura”, afirma.
Publicado por: Fernanda Zandonadi | Folha Vitória





