Donas do Café discute clima, produção e futuro da cafeicultura

Encontro em Guaxupé reuniu produtoras para discutir mudanças climáticas, fermentação, qualidade dos grãos e perspectivas do programa feminino

A liderança feminina na produção de cafés especiais esteve reunida, no dia 2 de outubro, em Guaxupé, para discutir assuntos como mudanças climáticas, produção e mercado, além das perspectivas futuras do programa Donas do Café.

A primeira palestra foi conduzida pelo coordenador de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, Eduardo Rene da Cruz, com o tema “Adaptar para avançar”, diante dos efeitos das mudanças climáticas. O foco se manteve nas práticas desde o preparo do solo e a escolha das mudas até a nutrição e proteção do cafeeiro, para que plantas mais fortes possam resistir a situações de seca e altas temperaturas.

Mudanças climáticas e manejo da lavoura

Diante desses desafios, Eduardo apresentou alguns pontos de atenção. “A seleção das mudas e também das cultivares deve ser feita com cuidado, pois algumas apresentam mais tolerância às adversidades climáticas, como é o caso do Arara e do Paraíso MG2, por exemplo”, disse.

Mas o engenheiro agrônomo aponta: tudo começa no solo. “O preparo do solo para o plantio deve ser muito bem feito. Quando uma lavoura de café é plantada, espera-se que ela tenha uma vida útil de 20 a 30 anos, e o momento do preparo é a única oportunidade para realizar correções e aplicar nutrientes em profundidade, para o crescimento de raízes fortes, capazes de suprir a planta com tudo que ela precisa. Durante os manejos dos talhões, é importante a aplicação de material orgânico, que tem muito a contribuir com a saúde do cafeeiro, retendo a umidade no solo e desenvolvendo a microbiota.

Fermentação e diversificação na produção

Sobre diversificação na produção, Felipe Miranda, engenheiro agrícola da SMC Specialty Coffees, levou informações sobre processos fermentativos. “A fermentação não é algo novo no café”, explica Felipe.

“Há diversas variáveis quando o assunto é fermentação, e não devemos fazer sem um acompanhamento, já que estamos falando de um alimento que vai para a xícara de diversas pessoas mundo afora”, complementou o engenheiro.

Felipe também destacou o fruto como um ecossistema em transformação. “Da mesma forma que podemos ter qualidades incríveis, também há o risco de uma fermentação desenvolver bactérias indesejáveis. Por isso, caso queira saber mais sobre essa prática e aplicá-la, é fundamental buscar o suporte de um profissional com experiência na área e iniciar com volumes menores, com segurança e higiene”, orientou.

Qualidade, seleção e torração dos cafés especiais

Christian Sarrassini, gerente de Qualidade e Produção da SMC, explicou como são feitas as avaliações sensoriais no controle de qualidade da empresa controlada pela Cooxupé. Já Yana Guimarães, trader da SMC, detalhou o fluxo do programa Especialíssimo e da seleção desses cafés que alcançam a nota de 83 pontos ou mais.

Raul Paulino, mestre de Torras da SMC, apresentou as etapas do processo de torração e suas complexidades. “A torra é a etapa mais importante na hora de avaliar um café especial. É o momento em que vamos traduzir os atributos dos grãos. Não podemos perder a qualidade que é fruto do trabalho árduo dos produtores e produtoras, portanto checamos todas as variáveis e adaptamos a torra para cada tipo de café, levando em consideração o nível de umidade e atividade de água, a densidade, o processo de seca, dentre outros fatores”, afirmou.

Próximos passos do Donas do Café

No final do encontro, as produtoras formaram grupos e sugeriram temas que gostariam que fossem abordados nos próximos eventos, sobre o impacto do programa em suas vidas e sobre melhorias que podem fortalecer ainda mais e garantir o futuro do Donas do Café.

Publicado por: Hub do Café