Chuva na colheita acende alerta para a qualidade do café, diz produtora

Cafeicultora de Muniz Freire relata perdas nas lavouras e explica como a umidade pode afetar o café que chega ao consumidor

O excesso de chuva durante a colheita ameaça a qualidade do café da safra deste ano, segundo a cafeicultora Tatiana Favoreto, do Sítio Três Anas, em Muniz Freire. A produtora relata que a umidade favorece o aparecimento de mofo nos grãos ainda na lavoura e também no terreiro, comprometendo o produto.

Tatiana conta que, nos anos anteriores, a colheita costumava contar com um período de três a quatro meses de seca. Neste ano, porém, as chuvas dificultaram o trabalho e a preservação da qualidade dos grãos.

Na avaliação da cafeicultora, o impacto deve atingir principalmente o café comercializado como commodity, destinado ao mercado convencional. Ela relata que parte dos grãos já chega ao terreiro com qualidade muito baixa e pode sofrer novas perdas ao longo das etapas até o consumo.

Por isso, Tatiana teme que os efeitos da chuva cheguem à xícara, sobretudo entre os consumidores que não têm acesso aos cafés especiais.

Seleção

Na produção de cafés especiais, a seleção rigorosa permite separar os grãos que atendem ao padrão de qualidade. Assim, segundo a produtora, o principal impacto aparece na quantidade disponível para comercialização.

Ela estima que a oferta deste ano fique entre 30% e 40% do volume habitual. A produtora também relata casos de propriedades que perderam até 80% da produção de cafés especiais por causa das chuvas. Os percentuais representam a avaliação da entrevistada, sem um levantamento do setor apresentado no material.

Os grãos que não passam pela seleção dos especiais seguem para o mercado convencional, conforme explica a cafeicultora. Nesse cenário, ela avalia que uma safra volumosa pode conviver com menor disponibilidade de cafés de qualidade superior.

Além de produzir no Sítio Três Anas, Favoreto administra duas unidades da cafeteria Delícias do Caparaó, em Iúna e Muniz Freire.

Publicado por: Por Kátia Quedevez e Fernanda Zandonadi | Portal Conexão Safra