Especialista recomenda que produtores acompanhem as previsões meteorológicas para reduzir perdas, enquanto cooperativas já representam mais de 23% da produção capixaba de conilon
O avanço das mudanças no comportamento do clima e a necessidade de fortalecer o cooperativismo estão entre os desafios da cafeicultura do Espírito Santo. Enquanto os produtores precisam tomar decisões diante de condições meteorológicas cada vez mais difíceis, as cooperativas buscam ampliar sua participação na produção de café conilon, um dos principais produtos do agronegócio capixaba.
Para o engenheiro agrônomo e agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, fundador da consultoria Rural Clima, o acompanhamento das previsões meteorológicas tornou-se uma ferramenta indispensável ao planejamento das propriedades rurais.
Segundo ele, o produtor não consegue controlar as condições climáticas. No entanto, pode antecipar decisões para reduzir os prejuízos provocados por períodos de seca, excesso de chuva e outras adversidades.
“O que o produtor realmente tem de fazer, independentemente da região, independentemente da cultura que ele tenha, é estar sempre de olho. A gente sempre brinca: um no céu e outro no computador, ali no celular com a previsão do tempo”, afirmou.
Além disso, Santos destacou que o planejamento permite adotar medidas preventivas antes que os fenômenos climáticos afetem as lavouras.
“Ele tem que antecipar os fatos para que, na hora, não seja pego de surpresa. Acho que esse é o grande ponto de atenção do produtor hoje”, explicou.
Cooperativas e conilon
Além das questões climáticas, o fortalecimento das cooperativas aparece como um caminho para ampliar o desenvolvimento da cafeicultura capixaba.
De acordo com Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES, as cooperativas representam mais de 23% da produção de café conilon do Espírito Santo.
Apesar da participação expressiva, ele considera que o setor ainda possui espaço para crescer.
“Nós temos muitas oportunidades nesse nosso café conilon. As nossas cooperativas representam mais de 23% da produção do café conilon capixaba, mas nós vemos por esses números que ainda há muito a se fazer”, afirmou.
Durante um painel sobre cafeicultura, Schiavo destacou a atuação de três cooperativas que possuem modelos diferentes de negócios, mas contribuem para o fortalecimento do setor.
A Cafesul concentra suas atividades nos pequenos produtores, na qualidade dos grãos e no comércio justo, conhecido como Fairtrade. Já a Nater Coop possui atuação diversificada, com mais de oito ramos de atividades. Mesmo assim, o café responde por mais de 70% de seu faturamento, segundo Schiavo.
Por sua vez, a Cooabriel atua exclusivamente com café conilon e, conforme o representante da OCB/ES, ocupa a posição de maior cooperativa do mundo especializada nesse produto.
Para Schiavo, a trajetória do conilon capixaba acompanha diretamente o crescimento dessas organizações. Por isso, ampliar a participação das cooperativas pode contribuir para o desenvolvimento da atividade nos próximos anos.
“A linha do tempo do café conilon capixaba está diretamente ligada à história das cooperativas. E cada uma à sua maneira”, destacou.
Segundo o analista, embora tenham estruturas e estratégias distintas, essas organizações compartilham o objetivo de fortalecer a cafeicultura.
“Eu acho que o caminho é esse: a gente enxergar as diferenças que cada uma tem, a maneira de trabalhar que cada uma tem, mas como isso faz com que o bem comum seja atingido”, concluiu.
Publicado por: Conexão Safra





