Fenômeno já está entre forte e muito forte e deve influenciar temperaturas e chuvas no Brasil nos próximos meses, segundo meteorologista
O El Niño segue se intensificando no Oceano Pacífico e pode atingir uma das maiores magnitudes já observadas. A temperatura da região Niño 3.4 está atualmente em torno de 2,3°C acima da média, patamar que já caracteriza um evento forte a muito forte.
A tendência, de acordo com o meteorologista Denis Garcia, da Meteored. , é de que o aquecimento continue ao longo de outubro, novembro e dezembro, podendo chegar próximo de 3°C de anomalia.
“Atualmente ela já está em torno de 2,3 graus. Ou seja, já é uma classificação que é um El Niño forte a muito forte. A tendência para esse mês de outubro, novembro e até ali, mais ou menos, mês de dezembro, é que ele suba mais um pouco, ficando próximo de 3 graus.”
Caso essa projeção se confirme, o episódio pode ficar entre os eventos de maior intensidade já registrados. Mas, segundo Denis, o pico de temperatura no Pacífico não significa que seus efeitos sejam sentidos imediatamente no Brasil.
Existe uma diferença de tempo entre o aquecimento do oceano e a resposta da atmosfera. Esse intervalo, chamado de defasagem, costuma levar alguns meses.
“Esses efeitos de maior intensidade não serão sentidos também no mês de outubro e também no mês de dezembro. Eles vão ter ali um delay.
Até a atmosfera responder esse aquecimento lá no Oceano Pacífico, ela demora um pouco de tempo, cerca de dois a três meses de resposta.”
Por se tratar de um episódio particularmente intenso, porém, essa resposta pode acontecer antes do período normalmente observado.
“Como esse evento é mais intenso, essa resposta pode ocorrer em um menor tempo, um mês e meio, dois. Então a gente pode sentir esse efeito do El Niño mais intenso por volta de meados de novembro, fim de dezembro.”
Centro-Sul pode ter primavera mais chuvosa
A influência do fenômeno deve aparecer principalmente no comportamento das temperaturas e das chuvas durante a primavera e o início do verão.
Segundo Denis, as projeções apontam para anomalias positivas de temperatura em novembro, com possibilidade de manutenção desse padrão em dezembro. Ao mesmo tempo, a chuva tende a ocorrer com maior frequência sobre áreas do Centro-Sul.
“A tendência, então, é que dezembro também tenha essas temperaturas, essa anomalia positiva de temperatura. As chuvas também ocorrendo com maior frequência, aquela parte mais ao Centro-Sul do país, a parte ali do Mato Grosso, do Triângulo Mineiro, Minas Gerais, São Paulo, em direção ao Sul.”
O meteorologista avalia, portanto, que a primavera deve ser marcada por um cenário mais úmido em boa parte dessa faixa do país.
El Niño pode continuar influenciando o Brasil em 2027
Apesar de começar a perder força, o fenômeno não deve desaparecer rapidamente. A previsão é de que o El Niño permaneça ativo até o início do outono de 2027 e só alcance o limiar de neutralidade por volta de abril.
“A tendência, pelo menos até meados de 2027, é que a gente ainda esteja sob influência do evento.”
Denis explica que o fenômeno deve começar a enfraquecer antes, mas a classificação de El Niño pode persistir até abril.
“A tendência é que o El Niño seja ativo pelo menos até abril, até o comecinho, finalzinho de abril. Ele diminui a partir de dezembro, mas ali no mês de abril ele atinge o limiar de El Niño para neutralidade.”
Isso significa que, mesmo depois de o Pacífico deixar de apresentar características de El Niño, a atmosfera pode continuar respondendo às alterações acumuladas durante o episódio.
O que esperar nos próximos meses
O cenário projetado por Denis Garcia é de El Niño muito intenso no fim de 2026, com efeitos mais evidentes sobre o Brasil entre o fim da primavera e o início do verão, principalmente sobre temperaturas e distribuição das chuvas.
A partir de 2027, a tendência é de enfraquecimento gradual do fenômeno, mas com possibilidade de impactos climáticos ainda persistirem durante alguns meses. Por isso, o comportamento do Pacífico continuará sendo um dos principais indicadores para acompanhar a evolução do clima brasileiro ao longo da próxima safra.
Publicado por: Notícias Agrícolas





