Observações de campo, em diversas lavouras de café, conduzidas em áreas de montanha, na região Sul do Estado do Espírito Santo e Zona da Mata de Minas, mostram que vem sendo obtidas altas produtividades na condição de manejo sem desbrota das plantas.
A cafeicultura de montanha se desenvolve em áreas de terrenos declivosos, com maiores áreas de cultivo localizadas na Zona da Mata de MG e Sul do Espírito Santo. Essas regiões vizinhas, dos dois estados, possuem condições ambientais e econômico-sociais semelhantes, com predominância de pequenas propriedades cafeeiras. As lavouras de café, pela topografia, são conduzidas com tratos manuais.
As variedades de café do grupo Catucai são as mais cultivadas nas zonas de montanha,
especialmente a 24/137 e a 785/15. Nessas variedades os cafeeiros emitem muitas rotações ortotrópicas.
Os plantios são realizados em sistemas de espaçamentos mais adensados e os cafeeiros fecham mais rapidamente e vão perdendo ramagem na parte baixa das plantas. Nessa condição a produção vai ficando mais concentrada no topo das plantas.
Na presente nota técnica objetiva-se relatar observações de campo, realizadas em diversas lavouras na cafeicultura de montanha, com cultivares de Catucai, onde a condução foi feita sem desbrota, com plantas com muitas hastes. As verificações em campo foram feitas na safra de 2026, em junho, em lavouras ainda com carga pendente, na região de Irupi e Iuna, no estado do Espírito Santo e em Lajinha-MG. Foram avaliadas lavouras adultas, em número de 14, sendo das cultivares Catucai amarelo 24/137 e do Catucai vermelho 785/15. Nessas lavouras os cafeeiros, com mais de 8 anos de idade, apresentavam, em média, 4-5 hastes por planta.
Os resultados de produtividade obtidos nas lavouras de café avaliadas mostraram valores de 80- 130 scs/ha, ou seja, produtividades muito elevadas. Verificou-se que a grande maioria da frutificação se encontrava nos ponteiros, das várias hastes das plantas, indicando que a manutenção sem desbrota foi favorável. Observou-se, ainda, que na poda aplicada por apreciação, com decote do ponteiro, apenas de plantas que sentem muito a carga, igualmente, deve ser conduzida sem desbrota, para ampliação da área
produtiva no topo das plantas.
Ressalta-se que na fase de formação das lavouras, durante os 3-4 primeiros anos, especialmente em plantios com menores distâncias na linha de cafeeiros, a desbota de formação deve ser efetuada.


Publicado por: J.B.Matiello -Eng Agr Fundação Procafé | Fundação Procafé





