A florada do café no Brasil segue em ritmos diferentes entre robusta e arábica
A temporada de florada do café no Brasil está avançando em duas frentes distintas. Enquanto o robusta (conilon) no Espírito Santo já concluiu grande parte da florada, o arábica em Minas Gerais e São Paulo ainda aguarda chuvas para iniciar esse processo de forma mais ampla.
Essa diferença é importante porque a safra recorde recentemente colhida já está precificada pelo mercado. Agora, é a florada que definirá o potencial produtivo do Brasil para a safra 2027/28. Atualmente, cerca de 95% da safra em curso já foi colhida, o que faz da próxima temporada a principal incógnita para compradores e participantes do mercado. Para quem possui exposição física ao café, as próximas semanas serão decisivas para determinar se os riscos climáticos diminuirão ou voltarão a ganhar relevância.
Leonardo Rossetti é especialista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, onde lidera as análises de café para a equipe de pesquisa da América do Sul e realiza avaliações de campo nas principais regiões produtoras de arábica e robusta do país. Esses levantamentos acompanham as condições da florada no Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, fornecendo subsídios para as projeções da StoneX sobre as safras brasileiras e sobre o equilíbrio global entre déficit e superávit de café.
Destaques
- Cerca de 95% da safra brasileira de café já foi colhida, embora parte dos volumes ainda aguarde processamento final.
- A florada do robusta no Espírito Santo está praticamente concluída, com boas condições vegetativas observadas nos levantamentos de campo da StoneX.
- A florada do arábica em Minas Gerais e São Paulo depende da chegada de chuvas mais abrangentes para ocorrer e garantir o pegamento dos frutos.
Florada do robusta avança no Espírito Santo, mas ainda não elimina os riscos para a oferta de arábica
“A equipe de campo da StoneX vem monitorando as condições da florada nas regiões produtoras de robusta do Espírito Santo, onde a maior parte da florada já ocorreu”, afirma Rossetti. Segundo ele, os resultados são positivos.
As lavouras apresentam boa aparência, vigor vegetativo e sinais favoráveis para o desenvolvimento da próxima safra, indicando uma contribuição sólida do conilon para a oferta brasileira de café em 2027/28.
No entanto, esse cenário positivo para o robusta não se traduz automaticamente para o arábica, já que as duas culturas seguem calendários de florada distintos e estão concentradas em estados diferentes. Para os compradores, uma florada bem-sucedida do robusta reduz uma variável de risco, mas deixa em aberto a mais importante delas: o potencial produtivo do arábica.
Florada do arábica em Minas Gerais depende das chuvas que virão depois
Os principais eventos de florada do arábica ainda estão por acontecer e dependem da próxima rodada de chuvas generalizadas em Minas Gerais e São Paulo.
Rossetti destaca que “tão importante quanto a própria florada é a chuva que vem em seguida, essencial para garantir um bom pegamento dos frutos”.
Por isso, o potencial produtivo do arábica na próxima safra depende não apenas da ocorrência da florada, mas também do pegamento e do desenvolvimento dos frutos nas semanas seguintes. Esse é o motivo pelo qual cada atualização sobre chuvas e temperaturas continua sendo acompanhada de perto pelo mercado.
Assim, a participação do arábica na próxima safra brasileira permanece uma questão em aberto para compradores físicos, mesmo com a atual colheita caminhando para o encerramento.
— Escrito por: Gus Farrow, gerente senior, StoneX Media
— Especialista: Leonardo Rossetti, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil.
Publicado por: Florada





