Diversidade de territórios, inovação no campo e valorização da qualidade impulsionam uma nova fase da produção de café no Espírito Santo
O Espírito Santo segue firmando seu lugar como um dos pilares da cafeicultura brasileira. No intervalo de pouco mais de uma década, os dados revelam um setor resiliente, capaz de superar adversidades climáticas, modernizar seus sistemas produtivos e manter alta participação no mercado nacional.
Arábica
O arábica no Espírito Santo encerra 2025 com produção de 3,29 milhões de sacas, resultado que confirma a eficiência do setor. A área colhida caiu para 121,6 mil hectares, a menor da série desde 2014, mas o rendimento médio permaneceu em patamar elevado, alcançando 27 sacas por hectare. O comportamento indica que os avanços técnicos, o manejo mais preciso e o uso crescente de tecnologias vêm compensando a redução estrutural da área plantada.
O desempenho de 2025 sucede um ano de forte recuperação. Em 2024, o estado colheu 4,02 milhões de sacas, com rendimento médio recorde de 31 sacas por hectare. O contraste entre os dois anos reflete o comportamento típico da bienalidade. Desde 2014, anos de ciclo positivo sempre ultrapassam a casa de 3,9 milhões de sacas, como ocorreu em 2016, 2018, 2020, 2022 e 2024, enquanto os anos de baixa se mantêm próximos de 3 milhões de sacas, como em 2017, 2019, 2021, 2023 e agora em 2025.
A trajetória geral da série reforça o ganho de produtividade do Espírito Santo. Em 2014, o rendimento era de 19 sacas por hectare. Uma década depois, mesmo com redução de quase 30 mil hectares na área colhida, a média estadual se transformou, registrando 22 sacas por hectare em 2023, 31 em 2024 e 27 em 2025, consolidando um salto tecnológico significativo.
A distribuição geográfica da produção tem Brejetuba na liderança em 2024, com 14,42% do total estadual, seguida por Iúna, Irupi, Ibatiba e Muniz Freire.
Conilon
A produção de café conilon no Espírito Santo atinge em 2025 o maior volume da série histórica, com 14,15 milhões de sacas colhidas e rendimento médio de 54 sacas por hectare. O resultado supera com folga todos os anos anteriores e confirma uma virada expressiva após oscilações registradas desde 2020. Mesmo com redução da área colhida para 258,2 mil hectares, menor patamar desde 2021, a produtividade alcançou altos níveis, o que alavancou a produção.
O desempenho de 2025 contrasta com o ciclo anterior. Em 2024, a produção foi de 9,84 milhões de sacas, com rendimento de 37 sacas por hectare. Em 2023, o estado colheu 10,15 milhões de sacas, mantendo um padrão de estabilidade, mas distante dos recordes atuais. Nos anos anteriores, no entanto, o conilon mostrava sinais de forte evolução, como em 2022, quando alcançou 12,36 milhões de sacas e rendimento médio de 48 sacas por hectare.
A leitura da série histórica demonstra a transformação da cafeicultura capixaba ao longo da última década. Em 2014, o estado produziu 9,94 milhões de sacas, com rendimento médio de 35 sacas por hectare. Após momentos de queda, como em 2016, quando a estiagem que assolou o estado reduziu o rendimento para 19 sacas por hectare, o conilon passou a se recuperar de maneira consistente.
A distribuição da produção em 2024 manteve Rio Bananal na primeira posição estadual, com 7,32% do volume, seguido por Linhares, Vila Valério, Colatina e Jaguaré.
Publicado por: Fernanda Zandonadi – Conexão Safra





