DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA DE APLICAÇÃO DE ADUBOS, VIA ÁGUA DEIRRIGAÇÃO, EM VIVEIRO DE MUDAS DE CAFÉ

As mudas de café são formadas em viveiros, sob meia sombra, condição que melhora o
desenvolvimento das mudas. Como as novas lavouras vem sendo implantadas em espaçamentos que comportam, sempre, mais de 5000 plantas por hectare, os viveiros de café são, normalmente, de grande porte.

Para nutrir as mudas de café são usados, no início, esterco e adubos, em mistura com a terra, para mudas em sacolas plásticas ou, no caso do uso de substratos artificiais, em bandejas ou paper pots, é indicado usar adubos de lenta liberação.

Apesar dessa adubação básica, usada nos substratos, é comum ter que complementar a
adubação, em cobertura nas mudas, com nutrientes específicos, quando as mudas apresentarem deficiências e mau desenvolvimento. Em viveiros de grande porte esse trabalho precisa ser facilitado.

O objetivo da presente nota técnica é relatar o desenvolvimento de um dispositivo, para
viabilizar a adubação, via água de irrigação, de forma simples e rápida. O trabalho foi efetuado em viveiro comercial, de 640 mil mudas, formadas em bandejas de 32 células, situado no município de Campo Alegre-GO.

A irrigação, para o viveiro, foi instalada através do bombeamento de água de represa, com uso de moto-bomba monofásica, de 3 CV, subindo com adutora de tubos de 50 mm. Desses tubos saem terminais de mangueiras, de 3/4 pol, nas quais foram instalados micro aspersores, do tipo bailarina, distanciados de 3×3 m. Essas mangueiras com aspersores distribuem a água para molhar os canteiros de mudas do viveiro.

O dispositivo desenvolvido para permitir a adubação constou da montagem de uma caixa
d’água, de 1000 l, próxima à bomba. Na caixa foi colocado um tubo de ligação, possuindo registro de regulagem, acoplado ao tubo de subida da bomba. Essa ligação termina, no fundo da caixa, com uma cruzeta, de tubos de 3/4 pol, perfurados, de forma que, ao mesmo tempo em que enche a caixa, turbilhona o líquido, assim dissolvendo o adubo.

A caixa, em sua parte inferior, internamente, tem, ainda, um tubo de saída, com filtro de
tela, esse tubo vai conectado no tubo de sucção da bomba. Através de um registro nesse tubo regula-se a quantidade de entrada da calda de fertilizante a ser injetada e, consequentemente, a dose de adubo aplicada nas mudas. Pode-se, alternativamente, usar um tubo venturi.

Verificou-se que o dispositivo desenvolvido promove uma boa dissolução do adubo na água, preparando a calda fertilizante. Os tempos observados no processo foram – de 8 minutos para enchimento da caixa de 1000 l e de 15 minutos para esvaziamento da caixa, ou seja, para aplicar toda a calda fertilizante no viveiro. Com esses tempos pode-se calcular a dose e concentração do adubo, conforme o desejado. Normalmente aplica-se calda com concentração de 0,5%, de fórmula contendo NPK mais micro, isso cada 4-5 dias.

Para a operação de adubação, primeiro coloca-se o adubo na caixa dágua. Em seguida abrese a entrada de água, vinda da bomba e ocorre a solubilização do adubo. Uma vez completada a diluição desejada, fecha-se a entrada e abre-se a saída e, então, a bomba conduz a calda, junto com a água de irrigação, até os micro-aspersores, os quais distribuem a adubação nas mudas.


Conclui-se que – é possível usar um dispositivo simples e eficiente, construído no próprio local do viveiro, a baixo custo, para a adubação de mudas de café, via água de irrigação, facilitando o trabalho em viveiros de maior porte.

Fonte: J.B. Matiello -Eng Agr Fundação Procafé, Célio Coelho – Tec Agr e Nicola V. Di Salvo e Frederico Di Salvo – Engs Agrs Agropecuária Di Salvo – Procafé