Maturidade digital do agro brasileiro avança e se aproxima da média das indústrias em 2025

Índice da PwC Brasil e Fundação Dom Cabral mostra evolução do setor e aponta desafios para ampliar a adoção de tecnologias emergentes

maturidade digital do agronegócio brasileiro registrou avanço significativo no último ano, passando de 3,1 em 2024 para 3,6 em 2025. O crescimento foi um dos maiores entre os setores avaliados pelo Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr), elaborado pela PwC Brasil e pela Fundação Dom Cabral (FDC). No ano anterior, a média geral das empresas brasileiras foi de 3,7, em uma escala de 6,0. O resultado evidencia ganhos estruturais e aproxima o agro da média nacional.

Realizado anualmente, o ITDBr utiliza metodologia própria para acompanhar a evolução da transformação digital nas organizações brasileiras e mensurar o nível de desenvolvimento tecnológico dos diferentes setores da economia. Nesta edição, o levantamento analisou como o agronegócio vem respondendo às demandas de produtividade, inovação e competitividade.

Entre os indicadores de destaque estão infraestrutura (4,4) e estratégia (4,2), ambos acima da média geral, de 4,3 e 4,1, respectivamente. A dimensão de pessoas e cultura também apresentou evolução, alcançando nota 3,7 e acompanhando de forma mais consistente as exigências do mercado.

“A transformação digital no agronegócio deixou de ser uma discussão sobre adoção de tecnologia e passou a ser uma pauta da liderança. O avanço depende menos das ferramentas disponíveis e mais da capacidade das organizações de estruturar processos, desenvolver pessoas e tomar decisões orientadas por dados. O agronegócio brasileiro está diante de um cenário que pede ação: evoluir de uma digitalização focada na eficiência para uma transformação verdadeiramente estratégica, capaz de reinventar modelos de negócio, ampliar a competitividade global e sustentar o crescimento no longo prazo”, afirma Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil.

Maturidade digital impulsiona eficiência no agronegócio

O ITDBr também aponta impactos práticos da evolução digital. Entre as empresas do agronegócio, 90% informaram aumento da eficiência operacional como principal resultado da transformação digital. Outros 54% relataram melhorias nos processos de tomada de decisão.

Os dados também mostram que 49% das empresas do setor já se classificam como “otimizadoras”, percentual superior à média geral de 33,5%, indicando maior capacidade de consolidar processos digitais e ampliar ganhos de eficiência.

Inteligência Artificial ainda representa desafio

Apesar da evolução, o agronegócio ainda enfrenta desafios em relação à adoção de tecnologias mais avançadas. O índice de uso da Inteligência Artificial (IA) subiu para 3,4, mas permanece abaixo da média geral, de 3,7. A maior diferença aparece na dimensão de fronteira tecnológica, que registrou 1,8 ponto após queda de 1,4, refletindo baixa adoção de tecnologias emergentes.

Para 54% das empresas, o principal desafio é estruturar a digitalização como um processo organizado. Outros 46% apontam a necessidade de integrar a transformação digital aos projetos já existentes. O estudo também mostra que apenas 8% das organizações do agro se enquadram no perfil “visionário”, enquanto a média geral é de 16%.

“Os resultados mostram que o agronegócio atravessa um momento de transição, concentrado principalmente na otimização de suas operações atuais. Ainda assim, a ausência de uma visão mais orientada ao futuro pode limitar a velocidade de evolução do setor diante das crescentes demandas do mercado global, em que a inovação contínua é cada vez mais crítica para a longevidade das empresas”, comenta Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral.

Oportunidades para ampliar a transformação digital

O levantamento também identifica oportunidades para acelerar a evolução digital do setor. A principal está na otimização de processos e eficiência, apontada por 21% das empresas, percentual superior à média das demais indústrias. Em seguida aparece a cultura de inovação e experimentação, mencionada por 18% das organizações.

“Os dados mostram que o setor reconhece a importância de testar, aprender e evoluir. A definição de estratégia e roteiro foi citada por apenas 5% das empresas do agronegócio, contra 14% na média geral. Embora seja uma das maiores lacunas em outros setores, no agro ainda não é percebida como um ponto crítico de evolução, o que pode indicar maior foco em melhorias táticas e operacionais de curto prazo, em vez de um planejamento estruturado”, complementa Mayra Theis.

Publicado por: Hub do Café
Imagem: Pexels