Safra de café canéfora começa no Brasil, mas oferta ainda baixa limita embarques

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A colheita de café do tipo canéfora, que engloba os grãos robusta e conilon, teve início nos principais polos produtores do Brasil, como Espírito Santo e Rondônia, e as expectativas do setor produtivo são de uma safra maior e de boa qualidade.

Com os trabalhos em fase inicial, as exportações do produto em abril ainda seguem lentas, embora tenham ganhado algum ritmo na comparação com março, quando tiveram queda acentuada, conforme dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Para a maior cooperativa de grãos conilon do Brasil, a Cooabriel, a safra deverá crescer, mas a oferta ainda é pequena enquanto produtores aguardam mais tempo para colher um grão mais maduro e de melhor qualidade.

Há também cautela de cafeicultores em fechar negócios, diante da forte alta dos custos de insumos.

“Podemos dizer que a colheita está começando… mas ela está atrasada em relação ao ano passado”, afirmou o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello, à Reuters.

“De outubro para cá não faltou umidade no solo, tem chovido com regularidade, a planta está bonita, isso favorece o atraso na medida em que a planta fica bem folhada, isso colabora para o grão madurar um pouco mais tarde”, explicou o líder da Cooabriel, que atua no Espírito Santo e sul da Bahia.

Os grãos canéforas devem responder este ano por pouco mais de 30% da safra do Brasil, o maior produtor global que tem no arábica a principal variedade cultivada.

Segundo a última previsão da estatal Conab, a safra de robustas e conilon deverá crescer 4,1% ante 2021, para 16,96 milhões de sacas de 60 kg, enquanto a de arábica com colheita iniciando entre maio e junho deve somar 38,8 milhões de sacas, aumento de 23,4%.

Grãos de Café

Até quarta-feira, a Cooabriel havia recebido apenas 25 mil sacas de café da safra nova, quase nada perto do volume de 1,8 milhão de sacas que espera receber dos cooperados em 2022, um recorde que representaria também alta de 300 mil sacas ante 2021.

O mercado interno do Brasil geralmente absorve a maior parte desses grãos canéforas, enquanto o Espírito Santo deve produzir a maior parte, ou 11,6 milhões de sacas de conilon.

Em Rondônia, que cultiva grãos robusta, a colheita também já começou. Lá a expectativa é de crescimento de 10% na produção, para 2,5 milhões de sacas. “Para o café, o clima foi favorável este ano… A safra promete evolução em produtividade e qualidade”, disse o pesquisador da Embrapa Enrique Alves.

Exportações e Demanda Local

Indústrias locais têm sido competitivas para adquirir grãos canéforas, relativamente mais baratos e que geram uma bebida forte, enquanto exportadores focam nos arábicas, mais caros e que proporcionam um cafezinho suave.

“O mercado interno está remunerando mais o produtor, a indústria está absorvendo (canéforas), o mercado local está mais atrativo”, disse Bastianello, ainda que tenha ressaltado que o produtor está mais cauteloso para fechar negócios apesar dos preços, diante da disparada de custos.

Com a alta no preço da matéria-prima, a indústria brasileira de café torrado e moído está elevando a fatia de conilon e robusta em “blend”, visando reduzir custos em relação aos que teria se comprasse mais arábicas.

Os embarques de café do Brasil no mês passado evidenciaram essa situação, com a associação de exportadores (Cecafé) afirmando as exportações de canéforas caíram enquanto indústria local tomou boa parte da oferta.

Café

Conforme dados preliminares de embarques compilados pelo Cecafé, as exportações de café canéfora em abril indicam recuperação ante março, somando no acumulado do mês até o dia 27 cerca de 55 mil sacas, versus 41 mil em igual data de março.

Mas a colheita ainda incipiente não permite que a exportação do país se aproxime dos volumes de conilon vistos em abril de 2021 (336 mil sacas), conforme dados do Cecafé.

No caso da exportação de arábica em abril, os dados preliminares do Cecafé indicam 1,7 milhão de sacas até o dia 27, versus 1,98 milhão na mesma data do mês anterior.

Fonte: Reuters (Por Roberto Samora; edição de Nayara Figueiredo)