Produtor de café vê prejuízo com seca e geada, mas ignora seguro rural

Imprimir
Pesquisa com produtores de café mostra que a falta de chuvas prejudicou a produção da safra de 2021, com impacto principalmente em Minas Gerais, principal Estado produtor. As geadas do ano passado também causaram danos à cafeicultura, diz o estudo Pesquisa Safra Cafeeira 2021/2022, que foi desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Café Point.

Conforme a pesquisa, o impacto das geadas e da forte estiagem nas principais regiões produtoras do País trouxe consequências negativas para a safra que foi colhida em 2021 e para a próxima que será colhida a partir de maio de 2022.

O levantamento revela que, para 74,6% dos cafeicultores ouvidos, a falta de chuvas afetou a produção da safra cafeeira de 2021. As geadas também causaram prejuízos à cafeicultura, principalmente na produção do café arábica em Minas, com 47% dos estabelecimentos atingidos pelo fenômeno climático, que limitou o potencial produtivo das lavouras para a safra de 2022.

Quanto à contratação de seguro rural, 86% responderam que não contratam seguro rural e apenas 14% contrataram para a safra 2022/23. O estudo argumenta que a baixa adesão do setor à contratação de seguro rural é preocupante no que se refere à gestão de risco da atividade, considerando a ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos.

A Pesquisa Safra Cafeeira também ouviu os produtores quanto à carga pendente em suas lavouras, sendo diferenciadas entre alta, média e baixa. A carga pendente corresponde aos frutos ainda em desenvolvimento nas plantas, indicando o potencial produtivo para a próxima safra. Considerando as expectativas para a produção nacional de 2022, apenas 10% esperam uma produção de carga alta, 47% disseram que a carga pendente é média e 43% esperam por uma baixa produção na safra 2022.

Sobre a comercialização, 75% dos produtores afirmaram não realizar nenhuma modalidade de venda futura. “Isso indica que esses produtores comercializam no momento da colheita, ou fazem a armazenagem na propriedade e/ou cooperativas para a posterior comercialização no mercado físico”, destaca a pesquisa.

Em relação às tecnologias de irrigação, a pesquisa mostrou uma baixa adesão aos sistemas. 84% dos produtores ouvidos responderam que não utilizam irrigação nas lavouras. No entanto, entre os que utilizam, o sistema mais usado é o de gotejamento, indicado por 77,8% dos produtores irrigantes.

O levantamento também aponta a contribuição das pequenas e médias propriedades para a cafeicultura. As pequenas propriedades, com área inferior a 50 hectares, representam o perfil fundiário de 93% dos produtores, sendo 80% propriedades com menos de 20 hectares.

A pesquisa ouviu 1.058 produtores, entre 1º de outubro e 20 de dezembro de 2021, em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rondônia, São Paulo, Acre, Rio de Janeiro e Goiás.

Fonte: Estadão Conteúdo