Pequenos produtores mineiros compartilham dados

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Produtores de Minas Gerais querem melhorar o planejamento das safras e, assim, elevar a produtividade e a rentabilidade. Para isso, esses agricultores contam com um projeto da pesquisadora Claudia Bauzer Medeiros, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que envolve a criação de uma rede entre os associados e o uso de softwares e sensores para a coleta e troca de informações.

O projeto que será implementado na Cooxupé, chamado de eFarm, tem como principal objetivo a criação de uma infraestrutura de comunicação de dados via internet de baixo custo para permitir a ligação entre as fazendas e a cooperativa. Além disso, a pesquisa inclui o desenvolvimento de uma série de softwares para auxiliar os pequenos agricultores em suas tarefas, visando melhor aproveitamento de recursos e esforços, por exemplo.

O uso de sensores para captar dados como temperatura, umidade e luminosidade para que sejam inseridos nos sistemas também está previsto. "É uma estrada de mão dupla em que o agricultor não apenas recebe informação da cooperativa, mas participa ativamente de todo o processo de geração de conhecimento para melhorar seu trabalho", afirma Claudia.

Depois que a rede foi desenvolvida no ambiente de testes da Unicamp, o projeto está na fase de levar essa infraestrutura para algumas propriedades escolhidas pela Cooxupé. Atualmente a rede está sendo testada em quatro produtores para que, depois disso, seja possível estimar os custos da implementação em escala, atingindo os 11 mil associados da Cooxupé.
Dessa forma, será possível a cada proprietário cruzar dados relativos à sua propriedade com características de clima, produção ou variações meteorológicas captadas por sensores, além de poder comparar seus resultados com os dos outros produtores de forma a descobrir os melhores métodos de cultivo.

O cruzamento de informações permitirá aos agricultores e cooperativas acompanhar a evolução da safra para aprimorar as atividades do ciclo de vida de culturas, desde a decisão do que plantar, onde, como e quando, até estratégias para organizar a colheita.

Antonio Carlos Oliveira Martins, diretor administrativo da Cooxupé, estima que dentro de seis meses o projeto vai gerar resultados. Segundos ele, os custos, que ainda não foram estimados, serão divididos entre os cooperados. "A infraestrutura poderia sair cara para um proprietário rural isolado, por isso a ideia é criar uma rede entre cooperados para amortizar o custo", diz Claudia.

Fonte: Carolina Pereira / Brasil Econômico

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