Mercado da bolsa de valores pode ser opção lucrativa para cafeicultor

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Depois de passar por um período de preços ruins, alguns fatores como a expectativa da safra 2010, o estoque baixo no mercado nacional e a desvalorização do dólar, melhoraram e estabilizaram o preço do café por algum período. Segundo os produtores e especialistas, ainda não é o ideal, mas voltou a aquecer o mercado. E agora com o início do período das chuvas e as especulações no mercado financeiro para safra 2011, o mercado voltou a oscilar. Atualmente, o café é comercializado com valor médio de R$300,00/saca. E o segredo para o produtor conseguir maximizar seu lucro é conhecer o momento correto para negociar a saca.

Setembro foi marcado pela instabilidade. O mercado internacional de café é regido principalmente pelos indicativos das bolsas de Nova Iorque (ICE Futures) e São Paulo (Bovespa). E durante o último mês foram observadas as maiores cotações para o café arábica dos últimos 13 anos, próximas da marca dos US$2,00 por libra-peso. Mas logo o mercado despencou novamente e voltou a trabalhar abaixo dos US$1,80 por libra-preso. As condições climáticas no Brasil, Colômbia e América Central foram responsáveis pela queda.
Para o produtor de café que passa por dificuldades, perder momentos como este de alta para venda do café, pode ser desastroso. “O lucro para o produtor só vem no momento da venda. Por isso hoje é fundamental que ele conheça também um pouco sobre mercado financeiro”, afirmou o analista de investimento que trabalha diretamente com o agronegócio café, Willian Goulart Brito.

O analista explicou ainda que muitos fundos investidores viram no café, um produto com alta liquidez e que por isso o grão ganhou destaque nas bolsas. “O café hoje pode ser comercializado como commoditie no mercado futuro ou como produto físico. Mas na bolsa de valores, menos de 1% do café negociado é físico. A maior parte são papéis. E os negócios são feitos através de hedges, que permitem maior proteção”.

Willian acredita que apesar do momento, da pressão que o preço tem sofrido no mercado, a tendência é de mais altas no valor de comércio do café. Mas ele alerta que o cafeicultor ou aquele que negocia na bolsa mesmo sem ser produtor, precisa de atenção, pois com a florada do café neste período, ouviram-se notícias no mercado que haverá excesso de produto no próximo ano ou até mesmo o equilíbrio entre oferta e procura.

“O cafeicultor deve tomar cuidado para não criar falsas expectativas. Em muitos casos ele deixa de vender seu café naquele momento de cotação alta com a esperança de que o preço pode melhorar. E com a instabilidade do mercado, depois ele se vê obrigado a vender o produto em cotações menores. E isso é ruim para o setor, vender o produto em baixa”, explicou o analista.

Enquanto isso, no mercado nacional, produtores seguem segurando o produto à espera de preços mais altos. E por outro lado, os compradores também ficam na espreita, o que pressiona as cotações para baixo. “O produtor deve sim criar expectativa desde que esteja bem informado sobre o mercado financeiro. Por isso é importante ele conhecer o tema ou ter a assistência de empresas especializadas”, completou o analista.

E cada vez mais os grandes produtores de café teem que tratar seu negócio como empresas. Negociar o produto físico ou até mesmo a produção futura em bolsas de valores é mais comum do que se imagina. “O mercado das bolsas de valores tem se popularizado. A cada dia mais pessoas procuram os serviços de analistas. E não apenas o agronegócio café está envolvido. Outras commodities, como milho, soja e o bovino, também podem ser negociados. E o papel da empresa de investimento é de orientação, mostrar para o investidor qual a melhor hora para fazer um negócio”, explicou o empresário da Ágil Investimentos, Marco Valério Araújo Brito. 

* André Silva Rosa

Fonte: Jornal Correio Trespontano

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