FOLHA TÉCNICA: Desenvolvimento e testagem de uma capinadeira mecânica, para controle de ervas em cafezais

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Foi desenvolvida e testada, com boa eficiência, uma nova capinadeira tratorizada, visando, principalmente, o controle mecânico de ervas resistentes a herbicidas e, também, em cultivos orgânicos.

As ervas daninhas, que crescem em cafezais, concorrem em água, nutrientes e luz com os cafeeiros e, sem controle adequado, podem causar perdas médias de mais de 30 % na produtividade das lavouras. Os principais métodos utilizados para controle das ervas são do tipo manual, mecânico ou químico, ou combinação desses sistemas. Ultimamente, o sistema manual, com uso de enxadas, foi muito reduzido, pela dificuldade de mão de obra e custo mais elevado. O controle químico é o mais utilizado, porém, nos últimos anos, vem enfrentando dificuldades, pela ocorrência de ervas resistentes aos principais herbicidas usados. O controle mecânico, por capina, vem sendo praticado em pequena escala, principalmente pela inexistência no mercado de equipamentos capinadores eficientes. São usadas roçadeiras e trinchas, que reduzem o tamanho das ervas, na forma de roçada, sem efetiva eliminação das mesmas. No passado existiam algumas carpideiras mecânicas, mas sua fabricação foi descontinuada.

A nova capinadeira mecânica vai suprir a falta de um equipamento para essa finalidade, visando seu uso para complementar o controle das ervas em cafezais, especialmente sobre as ervas resistentes aos herbicidas e, também, no seu uso na faixa junto à linha de cafeeiros e, ainda, no caso de cultivos orgânicos.

O desenvolvimento foi feito, em 2021/22, junto à Empresa HIMEV, tradicional fabricante de equipamentos mecânicos de trituração de plantas, situada em Campo Alegre, SC. O implemento foi desenvolvido, construído e testado para capinar as ervas daninhas. O equipamento é tracionado por um trator e a rotação do rotor é proveniente da tomada de força. A rotação é conduzida, através de um eixo cardan, até a primeira caixa de transmissão, onde a direção da rotação é alterada em 90°. Essa rotação é transmitida por outro eixo até a segunda caixa de transmissão, a qual também altera a direção da rotação e está diretamente ligada ao rotor. O rotor é constituído de 4 facas, em formato de ‘’S’’ que realizam o corte da vegetação rente e logo abaixo do solo, conforme profundidade que pode ser regulada. Durante o manejo do equipamento, ele fica apoiado em três pontos, sendo duas rodas e um esqui de deslizamento. O implemento trabalha deslocado em relação ao centro do trator, possuindo duas posições de deslocamento.

As especificações técnicas do equipamento são as seguintes – Comprimento: 1,515 m, largura: 1,725 m, largura de corte:0,915 m, massa aproximada: 320 Kg, rotação da tomada de força : 540 rpm, rotação do rotor: 1000 rpm, potência recomendada do trator : 40 CV. O equipamento pode ser observado na figura 1. Os testes foram feitos em lavouras de café da Fda Sertãozinho, em Botelhos-MG. O trabalho consistiu na capina de faixa próxima à linha de cafeeiros, conforme pode ser vista na figura 2. Verificou-se que, apesar do mato se encontrar já bem alto, houve uma limpeza total das ervas, que foram cortadas logo abaixo do solo. Uma boa característica observada na capina, que não era esperada, é que o mato e cisco na faixa roçada e um pouco de terra são jogados para junto aos cafeeiros, o que é desejado, pois leva material orgânico, útil para o desenvolvimento/produtividade das plantas. O rendimento observado, em lavoura com 3,5 m nas ruas, foi de 2,5-3 horas de trabalho por hectare de lavoura. A único aspecto negativo foi o desgaste das facas, que ocorreu em uns 3 dias de trabalho, o que era previsto, pois acontece em todos os implementes que trabalham com partes sujeitas ao desgaste pelo solo. Em função disso, novos materiais de aço estão em desenvolvimento. No entanto o bom trabalho realizado pela carpideira, compensa a reposição das facas, cujo custo, baixo, é amortizado por uma significativa área capinada.

Fonte: Fundação Procafé (Por J.B. Matiello – Eng Agr Fundação Procafé  e J.R Dias, Lucas Franco e Lucas H. Figueiredo – Engs Agrs Fdas Sertãozinho e Márcio Molleta Eng. da HIMEV Máquinas)