Volume de café exportado pelo ES é o maior nos últimos quatro anos

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O volume de café exportado pelo Espírito Santo em 2019 foi o maior registrado desde 2016, ou seja, nos últimos quatro anos. Saíram 5,73 milhões sacas. Um grande recorde. Mais do que o dobro das 2,3 milhões de sacas embarcadas em 2016, conforme mostram os dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).

Em função da abundância, a receita das exportações também foi expressiva em 2019: US$ 534,7 milhões (e com a vantagem da valorização do dólar, que começou o ano cotado em R$ 3,60 e terminou em R$ 4). Além disso, o câmbio em alta fez crescer a competitividade do produto. Ajudou a vencer concorrentes, na disputa por mercados.

Em contrapartida, o preço do café exportado pelo Espírito Santo em 2019 foi muito modesto. A saca de 60 quilos não passou de US$ 93,27 – o valor médio anual mais baixo desde 2015, quando atingiu US$ 122,20. Isso atinge diretamente o bolso do produtor. Tira-lhe o lucro (totalmente ou uma parte). A consequência é a redução do dinheiro investido no trato às lavouras, podendo afetar os volumes produzidos e a qualidade – condições indesejáveis para as exportações.

Cálculo da Conab mostra que o preço deprimido do café diminuiu em cerca R$ 860 milhões o valor que o cafeicultor capixaba teria embolsado em 2019 se a cotação do produto não tivesse caído em relação a 2018 (quando já estava muito baixa). O impacto é considerável, principalmente em se tratando do conilon, que, segundo o Incaper, é fonte de renda em 80% das propriedades rurais capixabas localizadas em terras quentes.

Os municípios que mais sofrem com a redução da receita do conilon são Colatina, Gabriel da Palha, Marilândia, Boa Esperança, Vila Pavão, Jaguaré, Vila Valério, Nova Venécia, Sooretama, Linhares, Rio Bananal, São Mateus, Pinheiros e Governador Lindenberg.

Para se ter ideia de como o preço do café afeta a economia do Espírito Santo, a cadeia desse bem agrícola (produção, venda, industrialização e exportação) emprega diretamente quase 400 mil pessoas, o equivalente a 10% de toda a população do Estado. Além disso, mais de 60 prefeituras despendem da safra de café para que a arrecadação cubra despesas essenciais.

A produção mundial de café em 2019 somou aproximadamente 169 milhões de sacas, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório publicado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Já o consumo mundial ficou em torno de 168 milhões de sacas. Teoricamente, o equilíbrio entre procura e oferta não deveria permitir a queda acentuada do preço do produto. Mas o recuo ocorreu por influência de outros fatores. Dentre eles, a força da Bolsa de Nova Iorque e dos fundos de investimento, essencialmente especulativos.

E para 2020, quais as perspectivas em relação ao preço? Jorge Nicchio, presidente em exercício do Centro do Comércio de Café, opina: “Pelo que se pode ver hoje, se houver variação, para cima ou para baixo, não deve ser grande”. Mas pondera: “o que se fala agora pode perder a validade amanhã, em função de mudanças das circunstâncias”.

Fonte: A Gazeta (Por Angelo Passos) via O Contexto

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