Venda de arábica se sustenta com valor baixo e emergentes

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O aumento do consumo de café por nações em desenvolvimento ocupa o espaço deixado pela queda da demanda da Europa, em crise. Enquanto os países europeus compram menos grão do tipo arábica (o de melhor qualidade) do Brasil, substituindo-o pelo robusta, novos mercados disputam o produto mais caro, que recentemente vem sofrendo um esfriamento de preços.

Nos contratos do mercado futuro para maio, o arábica está cotado a US$ 0,135 por libra-peso (US$ 0,297 por quilo) na Bolsa de Nova York, enquanto o robusta ou conilon vale US$ 0,096 (US$ 0,211 por quilo) em Londres. A diferença de 40% justifica a mudança nas compras, até então impactada pela crise econômica mundial, de acordo com traders.

"O arábica andou com preços bons nos últimos tempos, em função da abundância. Já não se justifica a compra de robusta", explica Luciano Gonzaga, que trabalha numa empresa que exporta cerca de 150 mil sacas de café por mês do Brasil. Mas não é o que se tem visto nos últimos meses.

Segundo ele, no ano passado os países ricos passaram a acrescentar até 60% de conilon nos blends, ante um patamar histórico de 40%. Antes a mistura era inversa. "A troca de blends causou queda do consumo de arábica, impactando os volumes exportados pelas tradings", afirma.

Gonzaga observa que o consumo de países emergentes sustentou a perda de demanda em mercados europeus. "Por incrível que pareça, estamos mandando café até para a Índia. Não adianta apertar os consumidores tradicionais, é preciso ampliar o consumo nos países produtores", diz.

Até 2020, os países emergentes, liderados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (os BRICS), devem corresponder a cerca de 35% do consumo global de café, projetou recentemente a diretora da torrefadora italiana Illycaffè, Andrea Illy. Atualmente, essas nações consomem 20% do grão produzido no mundo. "O consumo do mercado interno é crescente, não houve perda de espaço [do arábica]", afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Natan Herszkowicz. Dos 20,3 milhões de sacas consumidos pelas torrefadoras brasileiras em 2012, 55% eram do tipo arábica, de acordo com a entidade. Em 2013, "esse número deve continuar estável", garante o líder da Abic.

A participação da Europa nas exportações brasileiras de café caiu para 52% de janeiro a fevereiro deste ano, em relação aos 56% de 2012, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Já a participação asiática cresceu de 17% para 22%.

Além disso, houve alta de 42% do consumo de café brasileiro nos países da Ásia: foi embarcado 1,05 milhão de sacas, e foram transacionados US$ 213,3 milhões. No caso da Europa, essa variação foi de 1%, com movimento de 2,45 milhões de sacas e R$ 486 milhões no primeiro bimestre.

As exportações brasileiras de café apresentaram um crescimento de 8% do volume de sacas embarcadas no acumulado dos meses de janeiro e fevereiro (4,71 milhões de sacas) em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportados 4,36 milhões sacas. Já a receita registrou uma queda de 19,6% na mesma base comparativa, fechando em US$ 933,434 milhões.

"Este é um volume considerado bom, tendo em vista a situação de instabilidade do mercado, na qual a tendência dos compradores e dos vendedores é ficar em uma posição de expectativa e adiar as transações à espera das melhores condições de negociação", declarara o diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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