Três Corações deve ampliar vendas em até 5% em 2019

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O Grupo Três Corações, maior fabricante de café torrado e moído do país, deverá ampliar de 3% a 5% suas vendas em 2019, amparada pelos produtos de maior valor agregado, como cápsulas e cafés especiais. As vendas de cápsulas da empresa aumentaram 34% no ano passado e, neste ano, devem crescer acima de 20%, estimou o presidente da empresa, Pedro Lima, em evento promovido pelo Cecafé.

Considerando apenas os cafés torrados e moídos, a expectativa é de incremento inferior a dois dígitos nas vendas da empresa. No ano passado, o grupo faturou R$ 4,8 bilhões. Para este ano, Lima confirmou a expectativa de avanço para mais de R$ 5 bilhões, bem como a manutenção da margem Ebitda em cerca de 10%. O capex deve se manter em R$ 100 milhões anuais.

A perspectiva está ancorada nessa maior demanda por produtos de maior valor agregado, como cápsulas e cafés de qualidade superior. “Estamos muito voltados para o segmento dos cafés especiais. É um mercado que não tem muito volume, mas que entende a necessidade do consumidor. Entendo que o crescimento desse segmento continua, porque é um nicho pequeno ainda, que deve crescer em torno de 20% neste ano”, estimou, considerando que as vendas da empresa crescerão acompanhando o ritmo do mercado.

Ele também ponderou que os cafés tradicionais (torrado e moído) têm melhorado muito a qualidade. “O consumidor vai continuar a apostar nos cafés tradicionais e para a indulgências vai fazer experiências com produtos especiais”.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, o mercado de cafés de qualidade é o que apresenta maior dinamismo. “Temos 70 mil padarias, elas são a nossa Starbucks, e vão dar um upgrade no café que oferecem aos clientes e demandar produtos de maior qualidade”, disse.

Ele aposta que, no médio e longo prazos, essa tendência de consumo de cafés especiais vai “subir a régua” de exigência e tirar do consumo os cafés tradicionais de qualidade baixa. “A qualidade baixa tem data marcada para acabar. Isso é algo de médio e longo prazo, mas acho que entre cinco e dez anos é um prazo em que as coisas vão mudar”.

Aliado a uma economia estagnada, o setor tem hoje um cenário adverso de preços para o grão. “O produtor está sofrendo muito nos preços que estão. Como ele vai se preocupar em produzir com qualidade e manter a fazenda dele com produtividade se ele não tem uma remuneração boa?”, disse Lima, da Três Corações. “Esses preços de café estão chegando ao limite”.

Segundo ele, os patamares praticados há seis meses/um ano atrás estavam mais equilibrados do ponto de vista de toda a cadeia, inclusive em termos de margens para as indústrias. “As margens da indústria de café são muito apertadas no torrado e moído devido à competitividade.” Conforme Lima, a Três corações tem 27% de market share e, as cinco maiores empresas do setor juntas, respondem por 60% do mercado. “Nossa liderança ainda é frágil”, disse, referindo-se ao mercado bastante pulverizado do segmento.

Ele acrescentou que a empresa não descarta aquisições. “É oportunidade. A gente às vezes olha um negócio interessante, mas a família não tem interesse de fazer negócio. De uma hora para outra aparece uma oportunidade e nós estamos sempre olhando. Aparecendo, estamos aí para discutir”.

Fonte: Valor Online via Abic

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