Tradings planejam envio de café brasileiro para mercado de Nova York

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O Brasil se prepara para inundar o mercado de Nova York com cargas de café, quando os estoques que garantem contratos futuros caem para o menor nível em mais de duas décadas.

Grandes empresas de trading planejam embarcar café do Brasil para armazéns certificados pela ICE Futures U.S. a partir de setembro, disseram pessoas a par do processo, que pediram para não ser identificadas.

Os grãos serão selecionados, classificados e, se aprovados, podem representar o primeiro aumento significativo das reservas do Brasil na bolsa desde 2017.

A supersafra e a alta do dólar frente ao real tornaram os grãos do país mais competitivos do que o tipo arábica lavado da América Central, que costuma garantir contratos da bolsa de Nova York.

Isso sustenta os embarques planejados, já que as tradings continuam a recorrer aos estoques da ICE que, segundo dados da bolsa, estão no nível mais baixo desde 2000.

“Quanto mais os futuros de Nova York sobem, mais atraente se torna a entrega do café brasileiro à bolsa”, disse Nelson Salvaterra, corretor da Coffee New Selection. “O embarque para a bolsa será fácil. O desafio será fazer com que os grãos sejam aprovados.”

A ICE começou a aceitar a entrega de café brasileiro em 2013, mas até agora não conseguiu atrair quantidades significativas, pois só aceita arábicas lavados, e a maior parte da produção brasileira é de grãos naturais ou não lavados.

Alguns dos grãos arábica semilavados do Brasil poderiam atender aos critérios de classificação da bolsa, e é isso que as tradings testam agora, disseram as pessoas.

Um grupo de operadoras se reuniu com representantes da bolsa no início de agosto para discutir a capacidade de classificar grãos brasileiros, disseram as pessoas.

Autoridades da ICE Futures enfatizaram que nenhum tipo natural seria aceito, pois o contrato é para arábicas lavados. Não houve menção a suprimentos semilavados, disseram as pessoas.

A ICE disse que as regras de classificação estabelecem que os padrões mínimos para a entrega exigem que o café seja “saudável e livre de todos sabores não lavados e envelhecidos na xícara”.

O Brasil produziu um recorde de 67,7 milhões de sacas de café neste ano, segundo a exportadora Comexim. A produção de arábicas semilavados foi de apenas 2,5 milhões a 3 milhões de sacas, disse a Cooxupé, maior cooperativa de café do país. Ainda assim, a produção de semilavados foi maior do que nos anos anteriores, disse Salvaterra.

O café brasileiro é negociado com desconto em relação aos futuros, enquanto grãos de países como Honduras e Colômbia são negociados com prêmio.

O mercado global de café enfrenta um período de excesso de oferta, e os grãos arábica do Brasil se tornaram os mais baratos do mundo em relação aos estoques certificados pela bolsa, disse a corretora londrina Marex Spectron em relatório de 25 de agosto.

Fonte: Reuters