Terreno asfaltado ajuda na colheita do café

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No Espírito Santo, a técnica de transformar o terreiro de chão batido em terreiro de asfalto, tem facilitado a vida do agricultor na hora de secar o café.

O café, depois de colhido, precisa passar por uma secagem – operação normalmente feita em terreiros a céu aberto. Isso dá uma trabalheira para o agricultor, que precisa juntar os grãos todo dia para protegê-los do sereno e da chuva. Pois no Espírito Santo, tem produtor substituindo o piso de chão batido por asfalto, o que facilita o serviço nessa etapa da colheita.

Nessa época do ano, a zona rural do Espírito Santo fica agitada com a colheita do café conilon. No município de Nova Venécia, a quase 300 quilômetros de vitória, as lavouras dividem espaço com as enormes pedras de granito.

Depois da colheita, na hora de secar o café, o pequeno agricultor tem duas opções: colocar o produto a céu aberto e torcer para que não chova pelo menos enquanto o fruto estiver secando, ou pagar pelo uso de secadores fechados, tocados a lenha.

São poucas as propriedades na região que dispõem de um equipamento que seca o café mesmo com o dia nublado, chuvoso. De cada tambor gigante saem em média quarenta sacas piladas, sendo que quatro delas ficam para o dono do secador.

Por isso, em dia de sol forte, o pequeno agricultor aproveita para colocar o café nos terreiros a céu aberto e o piso de chão batido ainda é bastante comum na região. Só em Nova Venécia, existem pelo menos dois mil.

É num terreiro a céu aberto que seu Miguel Venturim e o filho Vilmar secam boa parte do café da propriedade. Sempre empurrando, raspando, varrendo e levantando aquele poeirão…

– “Seu Miguel, parece que é um trabalho que não rende muito, né?”.
– “Não, demora bastante mesmo”.
– “Esse café aqui já está há quantos dias secando?”
– “Hoje faz treze dias”.
– “Vai demorar mais quanto tempo aqui?”.
– “Se der um sol bom, mais uns dois dias. Quinze dias em média”.

Para completar o serviço, ainda é preciso peneirar para limpar o café. Só depois de tudo limpo e amontoado, é que os agricultores protegem o café da umidade da noite.

Nesta safra, o município de Nova Venécia deve produzir 450 mil sacas de café. E a agricultura familiar, com propriedades de até oitenta hectares, responde por pelo menos 70% desse total. E é justamente para esses produtores que foi criado o programa de construção de terreiros de asfalto.

Com o incentivo da prefeitura, o dia hoje na propriedade do agricultor Roni Dalvi saiu da rotina. Nesse projeto, a prefeitura entra com o maquinário, a logística e a orientação técnica. Já o agricultor paga o material e não economiza na sua própria mão-de-obra.

– “Roni você já tinha dirigido um equipamento como esse?”
– “Rapaz, ainda não, primeira vez”.
– “E como é que está sendo essa experiência?”.
– “Ah, muito bom. Fácil de aprender”.
– “É fácil, é. É mais fácil que um trator?”.
– “Bem mais fácil”.
– “E está contente com o terreiro que está sendo feito aqui na sua propriedade?”.
– “Ah, é bom demais. Isso vai me beneficiar muito. Já apanha o café, já bate no terreiro, dali já sai para a máquina. Não precisa esse negócio de secador, a gente paga para secar o café. Então aqui é muito bom, não tem gasto”.

Com o piso já lisinho, é hora de "tingir" o terreiro com um produto de impermeabilização, serviço para seu Nicanor Braide, o sogro do Roni, que também mora na propriedade.

– “Nessa safra agora vocês já colheram boa parte do café, né?”.
– “Colhemos quase tudo”.
– “Então para essa safra já não vai adiantar”.
– “Nós temos cem sacos ainda na roça para estrear aqui ainda. Tem ali em cima tem uma lavoura nova que estava verde aí nós vamos começar apanhar na semana que vem. Nós vamos ver o efeito do terreiro esse ano ainda, se Deus quiser”.

De acordo com o secretário municipal de Agricultura, José Elias Gava, até o surgimento desse programa, um ano atrás, os agricultores cobriam os terreiros com cimento, mas o custo… “Um terreiro de cimento hoje está custando na casa de dezoito a vinte reais o metro quadrado. O de asfalto nós estamos trabalhando na casa dos sete reais o metro quadrado”, afirma José Elias Gava, secretário de Agricultura de Nova Venéciaes.

Depois da aplicação do impermeabilizador, o terreiro ficará em descanso por pelo menos dois dias, até o produto secar. Enquanto isso, nós procuramos o agrônomo Wander Ramos Gomes, que trabalha numa das mais importantes cooperativas de café conilon do Brasil, a Cooabriel.

“Hoje o que ocorre é o seguinte: a Coabriel ela compra setenta por cento do seu café é de secador. O que nós estamos buscando é fazer o inverso, é aumentar o volume de café em terreiros”, diz.

– “O senhor separou ali algumas amostras. Qual é a diferença de um para o outro?”, pergunta o repórter.

“O café de secador, é mais esverdeado, menos homogêneo e um café de uma qualidade um pouco inferior ao café secado em terreiro de chão. Outro problema, se você pegar neste café, você consegue sentir o cheiro de fumaça nesse café. É um cheiro meio forte mesmo. Você consegue ver que ele não é um café cheiroso. Quando você já compara com o café secado em terreiros, você começa a ver uma qualidade melhor. Um café mais uniforme, mais homogêneo, e se você cheirar esse café, percebe que o cheiro é realmente do café. É interessante a gente frisar também que não é o fato de secar em secador o café não vai ser bom. Basta ele secar com período de pelo menos vinte e quatro horas. E é o que o pessoal não tem feito. Ele seca em torno de dez a catorze horas”, explica.

Dois dias depois, de volta à propriedade do Roni Dalvi, é dia de finalizar a construção do terreiro de asfalto. Na composição: areia, pó de pedra, um produto à base de petróleo, conhecido como RL, um pouquinho de cimento e água.

A tecnologia de construção de terreiros de asfalto para a secagem do café foi desenvolvida em Minas Gerais, numa parceria da Universidade Federal de Viçosa, a Emater e a Universidade Federal de Lavras. Em Nova Venécia, 60 terreiros como esse estão em pleno uso.

A gente percebe que muitas vezes o asfalto, quando o dia está muito quente, ele chega a derreter, fica mole. Isso acontece aqui também?

“Esse asfalto aqui é um asfalto frio, a mistura dele é uma mistura a frio. Pode ver que a gente usina ele na própria propriedade. Aquele asfalto que nós temos na rodovia é feito em usinas de preparo a quente. E esse nosso aqui é a frio”, afirma José Elias Gava, secretário de Agricultura de Nova Venéciaes.

– “O cheiro do asfalto, desse produto não passa para o café?”.
– “Não passa. Não passa de jeito nenhum”.

Com o dia já indo embora, o terreiro fica pronto…

– “Seu Nicanor, missão cumprida, hoje aqui”.
– “Hoje foi. Ficou bonito o terreiro”.
– “Como é que vai ser a vida daqui para frente?”.
– “Mais tranquila, com a secagem do café, cem por cento”.

A mesma tranquilidade que seu Leonardo Vialeto já vem experimentando na colheita desta safra, com o uso do seu terreiro de asfalto tinindo de novo. Pela primeira vez, um trabalho sem poeira, com mais agilidade.

“Uma terreirada que eu gastava uma hora, com vinte minutos eu junto então a gente ganha tempo”, afirma.
– “O que senhor está fazendo com esse tempo a mais, o senhor está se divertindo, descansando ou está inventando mais trabalho na vida aí?”.
– “Inventando mais trabalho… Para mim eu acho que foi o melhor investimento que eu já fiz já na minha vida foi fazer o terreiro de asfalto”.

Se você ficou interessado no terreiro de asfalto, a prefeitura de Nova Venécia tem uma publicação, gratuita, com o passo a passo da construção. Basta pagar o valor da postagem.

Para receber um exemplar escreva para:
Secretaria de Agricultura
Caixa Postal: 1
Nova Venécia, Espírito Santo
Cep: 29830-000

Fonte: Globo Rural

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