Tecnologias podem incrementar a cafeicultura em Rondônia

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A qualidade do café de Rondônia foi tema de treinamento realizado para 50 técnicos de extensão rural, produtores, estudantes e profissionais do agronegócio café nos dias 25 e 26 de outubro, em Ouro Preto do Oeste (RO). Durante o evento, os palestrantes reforçaram que o aperfeiçoamento da cafeicultura de Rondônia passa pelo incremento da produção e da melhoria da qualidade, para tanto mostraram tecnologias de pós-colheita adaptadas aos diferentes perfis de produtores.

Para Aymbiré Fonseca, pesquisador da Embrapa Café, que desenvolve pesquisas em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, é preciso despertar o agricultor para que ele perceba as vantagens de produzir e vender um café de melhor qualidade. “Apenas pelo fato de colher o fruto maduro em vez de colher o fruto verde, em média, o cafeicultor ganha 26% a mais de grãos de café, pois o grão verde é cheio d’água, que se perde ao ser secado. Esse é apenas um dos exemplos que mostram que o produtor deve buscar não só a renda imediata, mas um comércio garantido. Nós só vamos conquistar mercados que remuneram melhor se tivermos produtos de boa qualidade, oferecidos com constância e a preços competitivos no mercado”, argumenta o pesquisador.

O evento também ajudou a desmistificar a crença de que o café da espécie Coffea canephora (variedades Conilon e Robusta) não possui qualidade para bebida, que são apenas matéria prima para blends (misturas) e para a produção de café solúvel.  Nesse sentido, Arthur Fiorotti e Gustavo Sturm, da Conilon Brasil, apresentaram o novo protocolo de degustação do café para Robustas finos, demonstrando a importância da valorização dos diferentes tipos de café produzidos em Rondônia. Os participantes puderam degustar a bebida de café conilon, conhecendo as características sensoriais do canephora de boa qualidade. Os participantes se surpreenderam, pois pensaram que as amostras com cafés de melhor qualidade eram da espécie Coffea arabica, tradicionalmente utilizada para bebida e considerada de melhor qualidade.

As tecnologias de pós-colheita, de baixo custo e voltadas para a agricultura familiar, também chamaram a atenção dos participantes, principalmente por serem viáveis ao pequeno produtor. É o que foi demonstrado pelo professor Juarez Sousa e Silva, da Universidade Federal de Viçosa – UFV, segundo ele, é mais rentável produzir e processar o café na própria propriedade que entregá-lo aos beneficiadores.

Também foram apresentadas por Sérgio Donzelles, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, soluções para a redução do consumo de água no processamento do café descascado e a reutilização da água residuária no processamento do grão. “Quando é realizado o processamento do café por via úmida, é possível ter uma economia de até 90% da água utilizada. Este Sistema de Limpeza de Água Residuária – SLAR possui baixo custo para instalação e manutenção e pode ser adotado também por pequenos produtores, além de contribuir para a preservação do meio ambiente”, explica o pesquisador da Embrapa Café, Anísio Diniz.

O SLAR é um conjunto de baixo custo e de fácil construção que pode ser produzido pelo pequeno produtor. Ele é formado por caixas de decantação interligadas e peneiras estáticas. Após a remoção dos resíduos sólidos, a água é novamente conduzida para a caixa de abastecimento para reutilização no processamento ou direcionada à fertirrigação da cultura. Os resíduos sólidos retirados poderão ser utilizados na produção de adubos orgânicos. Estudos demonstram que o uso dessa água residuária é benéfica para as plantas de café e podem reduzir a dosagem de fertilizantes na lavoura.

Esse treinamento em pós-colheita faz parte de uma série de eventos que estão vinculados ao lançamento da cultivar de café conilon BRS Ouro Preto (Coffea canephora Pierre ex Froehner), a primeira desenvolvida pela Embrapa, recomendada especialmente para Rondônia e resultado de estudo conduzido pela Embrapa Rondônia no âmbito do Consórcio Pesquisa Café. “O objetivo é que produtor rondoniense, ao optar por essa nova cultivar, esteja preparado para utilizar o conjunto de tecnologias desenvolvido para essa cultivar. Essa combinação entre material genético e tecnologia propiciará ao cafeicultor atingir todo o potencial agronômico das plantas de café e, por consequência, maior rentabilidade e sustentabilidade do sistema de produção”, reforça Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia.

O evento foi uma realização da Embrapa Rondônia em parceria com a Embrapa Café, Incaper, UFV, Epamig e Conilon Brasil.

O Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, com apoio de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Funcafé/Mapa), tem contribuído para o desenvolvimento de pesquisas na área do setor nos últimos 15 anos. Pesquisas essas que também têm alcançado relevantes resultados no que diz respeito a cafés de qualidade, tanto para o mercado externo quanto interno, integrando uma cadeia de fatores essenciais para o crescimento sustentável do agronegócio café: boas práticas agrícolas, tecnologias de colheita e pós-colheita, melhoria da qualidade, Café & Saúde, entre outros. O treinamento de Rondônia, nos dias 25 e 26 de outubro, trará mais contribuições para esse cenário.

Fonte: Assessoria Embrapa Café

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