Tecnologia pode detectar doenças em cafeeiros um mês antes

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O manejo preventivo faz toda a diferença na lavoura, poupando agricultores de infestações graves, que acarretaram em grandes perdas de produção. Pensando nisso, a Embrapa — em parceria com a startup Agrosmart — desenvolveu uma plataforma digital capaz de detectar doenças com um mês de antecedência.

A ferramenta foi construída no conceito de “internet das coisas”, que consiste na troca automática de dados, via rede, sem interferência humana. Sensores instalados no meio da lavoura monitoram temperatura e umidade do ar e das folhas. As informações são levantadas a cada 15 minutos e enviadas à central. O computador processa os dados e produz um relatório que indica riscos ao cafezal e oferece dicas de manejo.

O diretor de produto da Agrosmart, Raphael Pizzi, explica que os modelos que existem no Brasil são de longa escala, baseados em grandes regiões, como, por exemplo, sul da Bahia. “A ideia do nosso sistema é que essa análise seja local. Sabemos que os microclimas mudam muito, e o produtor pode estar dentro de uma região, mas com um microclima muito específico na sua fazenda”, explica.

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente têm coletado informações para criar uma modelo de previsão de ocorrência de doenças. Nesta primeira etapa, a mais estudada é a ferrugem do café. “A ideia é coletar os dados de incidência e severidade, e depois correlacionar os dados, para ver se estão prevendo realmente o que está ocorrendo no campo”, diz a fitopatologista Kátia Nechet.

A plataforma estará disponível para uso comercial em dois anos, mas os técnicos pretendem disponibilizar uma versão gratuita até o fim de 2018. Kátia aposta que a ferramenta ajudará na redução de custos com aplicação de defensivos e aumentará a produtividade das lavouras. “Você não vai trabalhar com controle curativo, e sim preventivo. Reduzirá também o impacto ambiental da estratégia de controle”, pontua.

Um estudo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTIC) mostra que a plataforma pode aumentar em 25% a produção de grãos no país nos próximos 12 anos.

Mas, apesar da ideia ser promissora, a chefe geral da unidade de Informática da Embrapa, Silvia Massruhá, alerta que há problemas a serem solucionados. Em relação à conectividade, Silvia explica que apenas a internet comercial, existente nas grandes cidades, não é suficiente. “Também precisamos desenvolver uma rede própria, para fazer a comunicação entre as máquinas no campo”. A ausência de leis específicas, que garantam mais segurança no tráfego de informação, também é um outro ponto a ser resolvido.

Fonte: Canal Rural via CNC

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