Tecnologia cafeeira impulsiona produção de conilon no Espírito Santo

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Projeto Conilon Eficiente aplica tecnologias desenvolvidas pelo Consórcio Pesquisa Café

O cultivo dos cafezais capixabas, iniciado na metade do século XIX, representa hoje mais de quarenta por cento da renda agrícola estadual. O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, com 78% da produção nacional, e o segundo maior produtor nacional de café (somando-se a produção de café arábica e conilon) – representando cerca de 25% da produção do País. Contudo, para que o negócio mantenha a lucratividade e competitividade, é preciso que os produtores estejam sempre reciclando conhecimentos e adotando novas tecnologias.

Nesse contexto, surgiu o Projeto Conilon eficiente, parceria do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo (Sebrae-ES) com a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel – Cooabriel, que tem como meta levar educação ao produtor rural. Para isso, são ensinadas novas práticas tecnológicas e métodos de gestão que permitem ao próprio produtor acompanhar os resultados de seu negócio.

A produção no Estado do Espírito Santo, berço dessas tecnologias com café conilon no Brasil, saltou de 2,4 milhões de sacas em 1993 para 9,7 milhões de sacas na safra de 2012. O produtor Antônio Carlos Soares, do município de Vila Valério (ES), é um dos beneficiados pelo programa. Participante do projeto desde 2006, Antônio conseguiu dobrar sua área de plantação de café. No início do projeto, sua área plantada era de 5,9 hectares e em novembro de 2012, já contava com uma área de 12,4 hectares. Nesse mesmo período, o lucro por saca aumentou 695% e o lucro por hectare aumentou 2439%.

Entre as práticas tecnológicas introduzidas pelo Projeto, o pesquisador da Embrapa Café no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper Aymbiré Francisco Almeida da Fonseca destaca o desenvolvimento e a disponibilização de variedadesmelhoradas (variedades clonais e propagadas por sementes), as adequações nas recomendações para adubação e calagem (nutrição), o ajustamento dos sistemas de condução e manejo de plantas (manejo da poda) e os processos de colheita e pós-colheita. Todas essas tecnologias foram desenvolvidas e ajustadas no âmbito do Consórcio Pesquisa Café. Aymbiré destaca ainda o uso intensivo de irrigação e o controle integrado de pragas e doenças, sobretudo a broca do café, praga que chegou a ser responsável por mais da metade dos defeitos do café conilon capixaba durante a primeira metade da década de 90.

Existem, atualmente, seis variedades de conilon lançadas e recomendadas pelo Incaper para o Estado do Espírito Santo. Três novas variedades clonais desenvolvidas com apoio do Consórcio Pesquisa Café estão com lançamento previsto para o ano de 2013. Aymbiré explica que as novas variedades diferenciam-se, sobretudo, pela qualidade do café produzido e por seu comportamento em relação à ferrugem, doença que provoca lesões e queda de folhas e a capacidade produtiva das plantas. Outra característica marcante das novas variedades é a alta produtividade. Os trabalhos de pesquisa estão em processo final e incluem análises físico-químicas e sensoriais. “Essa é a primeira vez que características qualitativas são incorporadas no processo de seleção de clones para a formação de uma variedade clonal. Esse é um marco nas pesquisas, pois destaca a qualidade final do café. Temos certeza de que o mercado mundial vai consumir mais o nosso conilon, pois é um produto de qualidade incontestável”, avaliou Romário Gava Ferrão, pesquisador do Incaper e coordenador de cafeicultura do Estado.

Planejamento para o futuro – Até 2025, a cafeicultura do Espírito Santo tem o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG), que estabelece metas para o café, como dobrar a produtividade e produção estadual com a produção de 30% de café superior, sem aumento de áreas plantadas. Para isso, ações foram definidas para curto, médio e longo prazo. Prioritariamente está o desenvolvimento de novas variedades, melhor manejo de irrigação, associação de cafés com árvores, certificação, mercado, a implantação do Programa Renova Sul Conilon e a continuidade do programa Renovar Café Arábica e ainda programas realizados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Incaper e demais parceiros.

Agronegócio café no ES – O uso das tecnologias tem contribuído para que desde o período de lançamento das primeiras variedades clonais de café em 1993 até o presente a produtividade média estadual aumentasse em 277% saltando de 9,2 para 34,7 sacas beneficiadas/ha, enquanto a produção aumentou cerca de 304%, passando de 2,4 para 9,7 milhões de sacas, com um aumento de apenas 11% da área plantada. Presente nos municípios capixabas, exceto Vitória, a cafeicultura é a atividade com grande poder de geração de empregos no Estado. É o sustentáculo econômico de 80% dos municípios e responde por 43% do PIB agrícola capixaba. Toda a cadeia produtiva gera aproximadamente 400 mil postos de trabalho ao ano, de forma direta e indireta. Só no setor de produção envolve 131 mil famílias, sendo o tamanho médio das lavouras em torno de 8,3 hectares. O estado é o único que tem produção significativa das duas espécies – arábica e conilon – com produção anual de cerca de 12,5 milhões de sacas colhidas em 60 mil propriedades, das quais, mais de 73% são de base familiar. A produtividade média registrada é de 27,77 sacas por hectare e a produção em 2012 foi de 12,5 milhões de sacas. Esses números colocam o Estado como o segundo maior produtor do Brasil, no rankinginterno é o maior produtor de café conilon e o terceiro de café arábica.

Sobre o Projeto – O Conilon Eficiente é um projeto de caráter educacional, voltado ao produtor rural, que busca, através da consultoria tecnológica e gerencial, desenvolver a gestão do negócio rural com a introdução de mudanças tecnológicas para melhorar a qualidade de vida do produtor e de sua região como um todo. Tem como objetivo principal promover a educação do homem do campo, de forma participativa, proporcionando o desenvolvimento e crescimento econômico do cooperado, estendendo seus benefícios a toda cadeia produtiva. O produtor rural é o alvo da ação de consultoria gerencial e tecnológica oferecida pelo projeto. A fórmula possui uma série de variáveis, cujo desafio principal é levar as pessoas à informação que possibilite a satisfação de suas necessidades e a solução de suas dificuldades. Para mais informações acesse aqui.

Consórcio Pesquisa Café – Congrega instituições de pesquisa, ensino e extensão localizadas nas principais regiões produtoras do País. Seu modelo de gestão incentiva a interação das instituições e a otimização de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais. Foi criado por dez instituições: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, Instituto Agronômico -IAC, Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro – Pesagro-Rio, Universidade Federal de Lavras – Ufla e Universidade Federal de Viçosa – UFV.

Fonte: Gerência de Transferência de Tecnologia da Embrapa Café

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